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Questão FC408900

Tínhamos o patrimônio do futebol-arte, remédio para qualquer problema de autoestima. Mas sofremos um duro golpe narcísico com uma nova derrota em casa na última Copa. O “futebol-to

Semântica

VUNESP

A questão foi elaborada a partir do texto seguinte.

Complexo de vira-lata 2.0


Nelson Rodrigues chamou de complexo de vira-lata a inferioridade que o brasileiro voluntariamente se impõe perante o resto do mundo. Para o cronista, esse complexo teria sido superado com o título mundial de 1958. Isso ao menos entre as quatro linhas, onde construímos um futebol único e nos tornamos os maiores e os melhores.

 

Tínhamos o patrimônio do futebol-arte, remédio para qualquer problema de autoestima. Mas sofremos um duro golpe narcísico com uma nova derrota em casa na última Copa. O “futebol-totem”, a verdade em torno da qual nos aglutinávamos reforçando uma identidade nacional, ruiu. Ainda somos os melhores?

 

É como se andássemos carregando uma coroa oxidada. No íntimo ferido, a necessidade da autoafirmação, “somos os melhores”. Ao mesmo tempo, na superfície, a mágoa e o rancor ao nos afirmarmos profundamente inferiores.

 

Aprisionados nessa conflituosa ambiguidade, inferiorizar o futebol brasileiro parece ser o mote das críticas e cobranças de boa parte da mídia. Carecendo de novas verdades, “profetas” anunciam caminhos, vendem verdades que pouco servem à evolução de nosso futebol. Aplaudem mais as medidas e o futebol de outros países, como se o autoelogio ou o reconhecimento do Brasil fosse uma espécie de tabu.

 

É verdade que a globalização misturou estilos e fez o futebol crescer pelo mundo. Devemos ver o que de bom é produzido lá fora e descobrir como podemos aproveitar. Mas o aplauso ao outro, por vezes, não soa simplesmente como a admiração ao belo e ao sublime produzido no futebol. No fundo, para o narciso ferido, aponta para uma falta, como se a afirmação do outro fosse a sua própria negação. Retomamos, então, o “Narciso às avessas” de Nelson, que cospe na própria imagem, afirmando que aqui nada presta e que o que é produzido lá fora é o ideal.


Falamos da ativação de um complexo que acaba por desvalorizar elementos tradicionalmente brasileiros, favorecendo uma paulatina descaracterização de nosso futebol. É de se perguntar: se Garrincha fizesse seu drible hoje, quão execrado pela mídia ele poderia ser pela falta de objetividade e menosprezo ao adversário? Críticas como essas possuem suas raízes em um modo europeu de se analisar o futebol. Estranhamos essas críticas — desrespeitosas, por sinal — a uma geração de jogadores brasileiros que fazem parte da maioria estrangeira no campeonato de clubes mais valorizados.

 

(Walter Feldman; Rogério Caboclo. www.folha.uol.com.br/opiniao/2015/09/1683161-complexo-de-vira-lata-20.shtml. Adaptado)

 

Considerando o emprego contextualizado da forma verbal Aplaudem, em destaque no quarto parágrafo, afirma-se corretamente que estabelece relação de antonímia com:

  1. Acatam.
  2. Aquilatam.
  3. Deferem.
  4. Aviltam.
  5. Ratificam.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Aplaudem, no trecho, tem o sentido claro de elogiar, louvar ou aprovar — ato positivo de reconhecer valor no futebol e nas medidas adotadas em outros países.

Como antônimo adequado, aviltam significa rebaixar, desvalorizar, menosprezar. Trata‑se de um verbo que exprime ação contrária: em vez de reconhecer e exaltar qualidades, diminui e ofende o mérito do objeto.

No contexto do texto — em que parte da mídia exalta o exterior — a oposição fica nítida: aplaudir corresponde a afirmar valor; aviltar, a negar ou reduzir esse valor. Assim, a relação de antonímia entre os termos é semântica e contextual, justificando a escolha de aviltam como resposta correta.

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