FC ConcursosFC Concursos

Questão FC408918

Leia o texto para responder à questão. Sobre livros, leituras e literatura Em “Sobre leitura e os livros”, Schopenhauer afirma que, quando lemos, “outra pessoa pensa por nós”. No c

Semântica

VUNESP

Leia o texto para responder à questão.

 

Sobre livros, leituras e literatura

 

Em “Sobre leitura e os livros”, Schopenhauer afirma que, quando lemos, “outra pessoa pensa por nós”. No contato com “aquelas palavras”, somos dispensados de pensar e deixamo-nos levar pelo pensamento do autor.

 

Apreendida superficialmente, a crítica de Schopenhauer pode ser interpretada como uma apologia da não leitura. Mas é exatamente isto o que não se pode fazer: lê-lo num relâmpago. O ensaio de Schopenhauer deve ser compreendido pelo seu reverso. A leitura desse texto funciona como uma prática do que expõe o filósofo: não se deve ler sem profundidade; deve-se ler atentamente.

 

Ao ler sem aprofundamento, corre-se o risco da incompreensão das ideias do outro, tornando o ato de leitura um grande vazio. Um bom texto, para Schopenhauer, pede um gesto que desperte nossos próprios pensamentos. A leitura pela leitura – em quantidade, sem qualidade – faz com que se perca “gradativamente a capacidade de pensar por si mesmo”.

 

Schopenhauer acredita que o abominável nesse modo de ler é a não possibilidade de se despertar o que está em cada um de nós em potencial. A leitura “precisa deixar marcas no espírito”. O leitor – um leitor forte – não pode se tornar um mero reprodutor de ideias; estas devem fazer brotar as suas próprias.

 

A qualidade literária de um texto, então, torna-se fundamental para esse vir a ser. O autor considera que “a capacidade de persuasão, a riqueza de imagens, o dom da comparação, a ousadia, ou amargura, ou a concisão, ou a graça, ou a leveza de expressão, ou mesmo a argúcia” se adquirem quando se leem escritores que têm essas qualidades, e essas qualidades são evocadas em nós. “Essa é a única maneira de a leitura ensinar a escrever, na medida em que ela nos mostra o uso que podemos fazer de nossos próprios dons naturais.”

 

“Os livros ruins deveriam ser banidos”, brada o filósofo. A atualidade de seu texto está na crítica à indústria cultural em formação. Schopenhauer observa a quantidade de livros ruins no mercado e a valorização que se dá a estes, “essa abundante erva daninha da literatura que tira nutrição do trigo e o sufoca”, roubando “tempo, dinheiro e atenção do público”. Acredita que se deva ler só o que não é objeto de ocupação do grande público. Segundo ele, não se deve ler “o que é ruim, pois a vida é curta, e o tempo e a energia são limitados”.

 

(Sandra Regina Nunes. FACOM, nº 19, 2008, www.faap.br/revista_faap/ revista_facom/facom_19/sandranunes.pdf. Adaptado)

 

Um sinônimo para o termo argúcia, em destaque no quinto parágrafo, é:

  1. inépcia.
  2. sagacidade.
  3. precaução.
  4. prodigalidade.
  5. condescendência.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

B

Comentário do professor

Argúcia no trecho refere-se à agudeza de espírito, isto é, à habilidade de perceber sutilezas e formular observações penetrantes.

O autor enumera qualidades estilísticas que despertam no leitor capacidades próprias; entre elas, a argúcia destaca-se como rapidez de raciocínio e perspicácia.

Como sinônimo, sagacidade reúne essas ideias: entendimento vivo, discernimento e tato para comparações e imagens eficientes.

No contexto, a presença de termos como “dom da comparação” e “riqueza de imagens” reforça que se trata de uma qualidade intelectual e estilística, não de mera técnica.

Portanto, escolher sagacidade é optar por uma equivalência semântica direta e apropriada ao sentido do texto.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo