Questão FC408920
Leia o texto, para responder à questão. “Aprender dormindo” parece uma possibilidade tão atraente quanto “perder peso comendo”: ambas prometem benefícios alcançados sem esforço. Nã
Semântica
Leia o texto, para responder à questão.
“Aprender dormindo” parece uma possibilidade tão atraente quanto “perder peso comendo”: ambas prometem benefícios alcançados sem esforço. Não à toa, muita besteira já foi dita, prometida e sobretudo vendida fazendo mau uso do santo nome da ciência, como as gravações em línguas estrangeiras para “ouvir” durante a noite.
Mas eis que surge algo que de fato se aprende enquanto inconsciente – e, de fato, só nesse estado. A descoberta vem do grupo de Noam Sobel, pesquisador do Instituto Weizmann, em Israel. Foi Sobel quem convenceu universitários a acompanhar pelo olfato um rastro de chocolate engatinhando de olhos vendados na grama, mostrando que nós, humanos, conseguimos, sim, fazer algo que achávamos ser prerrogativa de quadrúpedes.
Ele e sua equipe se valeram de uma particularidade do olfato: esse sentido tem acesso direto ao córtex cerebral, sem precisar passar pelo tálamo primeiro, e provavelmente por isso continua funcionando durante o sono, mas sem acordar quem dorme (enquanto outros estímulos podem sacudir o tálamo de seu torpor).
Sobel queria saber se essa particularidade torna o cérebro capaz de aprender inconscientemente, por condicionamento clássico, como o cachorro de Pavlov que passava a salivar ao ouvir um sino que prenunciava comida. Os voluntários humanos de Sobel eram fumantes de longa data, e passaram a semana anterior ao experimento contando quantos cigarros fumavam. No experimento, realizado durante o sono, os pesquisadores faziam os voluntários, adormecidos, inalar “aroma de cigarro” seguido ou não, na inspiração seguinte, de “aroma de peixe podre”.
Mesmo adormecido, o cérebro registrou a associação: no dia seguinte, os voluntários do grupo experimental, e só eles, fumaram de 30% a 40% menos cigarros – redução que foi passando ao longo da semana.
Curiosamente, o efeito não pode ser atribuído a uma recém-adquirida aversão ao cheiro do cigarro, pois a percepção consciente não mudou. A nova associação entre cheiro de cigarro e peixe podre deixa suas marcas nos recônditos do cérebro, sem acesso à consciência.
O curioso é que não fumantes não precisam de nada disso: para nós, cigarros já têm cheiro de... cigarro, o que é ruim o suficiente. Ah, o que o vício não faz com o cérebro.
(Suzana Herculano-Houzel, Enfim, algo que se aprende
dormindo. Folha de S.Paulo, 01.09.2015. Adaptado)
Observe as palavras destacadas nas passagens a seguir.
... nós, humanos, conseguimos, sim, fazer algo que achávamos ser prerrogativa de quadrúpedes. (2º parágrafo)
A nova associação entre cheiro de cigarro e peixe podre deixa suas marcas nos recônditos do cérebro… (6º parágrafo)
São sinônimos dessas palavras, adequados ao contexto, respectivamente,
- vantagem e confortos.
- privilégio e âmagos.
- direito e sintomas.
- precedência e neurônios.
- previsão e interiores.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Privilégio traduz bem prerrogativa porque ambas indicam uma vantagem ou competência exclusiva atribuída a alguém ou a um grupo — aqui, a ideia de algo que se julgava ser só dos quadrúpedes.
Âmagos é plural de âmago, que significa o núcleo, o cerne ou as regiões mais íntimas de algo. Em "recônditos do cérebro", o autor refere‑se às áreas profundas e escondidas da mente; por isso, "âmagos" funciona como sinônimo adequado e de registro semelhante, preservando a ideia de profundidade e interioridade sem acesso direto à consciência.
Assim, ambas as palavras mantêm o sentido original: exclusividade no primeiro caso e profundidade/íntimo no segundo.
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