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Questão FC408935

Leia o texto para responder à questão. Chuvas com lembranças Começam a cair uns pingos de chuva. Tão leves e raros que nem as borboletas ainda perceberam, e continuam a pousar, às

Semântica

VUNESP

Leia o texto para responder à questão.

 

Chuvas com lembranças

 

Começam a cair uns pingos de chuva. Tão leves e raros que nem as borboletas ainda perceberam, e continuam a pousar, às tontas, de jasmim em jasmim. As pedras estão muito quentes, e cada gota que cai logo se evapora. Os meninos olham para o céu cinzento, estendem a mão – vão fazer outra coisa. (Como desejariam pular em poças d’água! – Mas a chuva não vem...)

 

Nas terras secas, tanta gente a esta hora está procurando, também, no céu um sinal de chuva! E nas terras inundadas, quanta gente estará suspirando por um raio de sol!

 

Penso em chuvas de outrora: chuvas matinais, que molham cabelos soltos, que despencam as flores das cercas, que entram pelos cadernos escolares e vão apagar a caprichosa caligrafia dos exercícios!

 

Chuvas de viagens: tempestade na Mantiqueira, quando nem os ponteiros do para-brisa dão vencimento à água; quando apenas se vê, na noite, a paisagem súbita e fosfórea mostrada pelos relâmpagos.

 

Chuvas antigas, nesta cidade nossa, de eternas enchentes: a de 1811, que com o desabamento de uma parte do Morro do Castelo soterrou várias pessoas, arrastou pontes, destruiu caminhos e causou tal pânico em toda a cidade que durante sete dias as igrejas e capelas estiveram abertas, acesas, com os sacerdotes e o povo a pedirem a misericórdia divina.

 

Chuvas modernas, sem igrejas em prece, mas com as ruas igualmente transformadas em rios, os barracos a escorregarem pelos morros; barreiras, pedras, telheiros a soterrarem pobre gente!

 

Por enquanto, caem apenas algumas gotas aqui e ali, que nem as borboletas percebem. Os meninos esperam em vão pelas poças d’água onde pulariam contentes. Tudo é apenas calor e céu cinzento, um céu de pedra onde os sábios e avisados tantas coisas liam, outrora...

 

“São Jerônimo, Santa Bárbara Virgem, lá no céu está escrito, entre a cruz e a água benta: Livrai-nos, Senhor, desta tormenta!”

 

(Cecília Meireles, Escolha o seu sonho. Adaptado)

 

Na passagem – Chuvas antigas, nesta cidade nossa, de eternas enchentes… – (5.º parágrafo), o termo eternas, no contexto em que está empregado, significa

  1. eventuais.
  2. contínuas.
  3. intermitentes.
  4. indesejáveis.
  5. finitas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Contínuas é o sentido adequado porque, no contexto, “eternas enchentes” não indica literal eternidade, mas a ideia de algo que se repete com regularidade e persiste ao longo do tempo.

Ao dizer "nesta cidade nossa, de eternas enchentes", o texto caracteriza as inundações como fenômeno habitual e permanente na memória urbana, ou seja, como ocorrências constantes.

Portanto, eternas aqui equivale a duradouras e contínuas: enchentes que fazem parte da rotina da cidade, sem caráter esporádico ou passageiro.

Escolher contínuas preserva essa ideia de repetição e permanência expressa pelo autor, justificando a alternativa correta.

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