Questão FC408953
Leia o texto para responder à questão. Ortotanásia e eutanásia O que é a vida, afinal? É simplesmente um conjunto de reações bioquímicas? Ou algo maior, sagrado e eterno? A nossa p
Semântica
Leia o texto para responder à questão.
Ortotanásia e eutanásia
O que é a vida, afinal? É simplesmente um conjunto de reações bioquímicas? Ou algo maior, sagrado e eterno? A nossa perplexidade diante desse tema tão polêmico, que é a eutanásia, advém das incertezas que cercam o sentido da existência humana.
Sou oncologista e imunologista. Faz 28 anos que busco mais vida com qualidade para os pacientes com câncer e portadores de Aids com câncer. Os pacientes que já na primeira consulta me dizem que querem morrer antes de tentar os tratamentos são exceções. Mas existem. Todos os pacientes, tanto os que querem enfrentar tratamentos antes de morrer como os que não querem, têm um elemento comum, que é a falta de esperança, a depressão e o medo do sofrimento. Independentemente das novas e eficientes técnicas de tratamento, há instantes em que se perde a batalha contra as doenças. É então que uma pergunta se faz necessária: até quando é lícito prolongar com medidas artificiais a manutenção da vida vegetativa? Existe grande confusão entre os diversos tipos de eutanásia – ou boa morte. Uma é a eutanásia ativa, na qual o médico ou alguém causa ativamente a morte do indivíduo. Ela é proibida por lei no Brasil, mas é prática regulamentada, em alguns outros países, como Holanda e Dinamarca.
Em um outro extremo, há a distanásia que, segundo o especialista em bioética padre Leo Pessini, “é um procedimento médico que prolonga inútil e sofridamente o processo de morrer procurando distanciar a morte”. Sou contra a distanásia. E como seria a verdadeira boa morte? Creio que é aquela denominada morte assistida que prefiro denominar de ortotanásia. É cuidar dos sintomas sem recorrer a medidas intervencionistas de suporte em quadros irreversíveis. É respeitar o descanso merecido do corpo, o momento da limpeza da caixa preta de mágoas e rancores; é a hora de dizer coisas boas, os agradecimentos que não fizemos antes. É a hora da despedida e da partida. Então, talvez possamos acreditar no escritor Jorge Luis Borges: “Morrer é como uma curva na estrada, é não ser visto”.
(Nise Hitomi Yamaguchi, doutora pela Faculdade de Medicina da USP. Folha de S.Paulo, Tendências/Debates, 26 de março de 2005. Adaptado)
No contexto em que ocorre, a palavra em destaque na frase – Ou algo maior, sagrado e eterno. (1.º parágrafo) – tem como antônimo (sentido contrário):
- durável.
- definitivo.
- constante.
- duradouro.
- efêmero.
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Comentário do professor
No enunciado, a palavra eterno qualifica algo sem fim, contínuo e duradouro. No contexto do trecho, a autora opõe a ideia de uma vida como algo imutável e perdurável à noção de transitoriedade.
O termo efêmero é o antônimo natural de eterno. Como adjetivo, significa algo de curta duração, passageiro, que desaparece rapidamente — por exemplo, sensações, episódios ou estados que não se prolongam no tempo.
Semântica: enquanto eterno evoca permanência e continuidade, efêmero aponta para a brevidade e a finitude. No exame de sentido do texto, escolher efêmero reflete corretamente a oposição conceitual proposta pela autora.
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