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Questão FC409001

SÃO PAULO – Escritórios da avenida Faria Lima, em São Paulo, estão contratando flanelinhas para estacionar os carros de seus profissionais nas ruas das imediações. O custo mensal f

Semântica

VUNESP

Leia o texto para responder à questão.


A ética da fila


SÃO PAULO – Escritórios da avenida Faria Lima, em São Paulo, estão contratando flanelinhas para estacionar os carros de seus profissionais nas ruas das imediações. O custo mensal fica bem abaixo do de um estacionamento regular. Imaginando que os guardadores não violem nenhuma lei nem regra de trânsito, utilizar seus serviços seria o equivalente de pagar alguém para ficar na fila em seu lugar. Isso é ético?

Como não resisto aos apelos do utilitarismo, não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto. Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes (quem evitou a espera e o sujeito que recebeu para ficar parado). Mas é claro que nem todo o mundo pensa assim.

Michael Sandel, em “O que o Dinheiro Não Compra”, levanta bons argumentos contra a prática. Para o professor de Harvard, dublês de fila, ao forçar que o critério de distribuição de vagas deixe de ser a ordem de chegada para tornar-se monetário, acabam corrompendo as instituições.

Diferentes bens são repartidos segundo diferentes regras. Num leilão, o que vale é o maior lance, mas no cinema prepondera a fila. Universidades tendem a oferecer vagas com base no mérito, já prontos-socorros ordenam tudo pela gravidade. O problema com o dinheiro é que ele é eficiente demais. Sempre que entra por alguma fresta, logo se sobrepõe a critérios alternativos e o resultado final é uma sociedade na qual as diferenças entre ricos e pobres se tornam cada vez mais acentuadas.

Não discordo do diagnóstico, mas vejo dificuldades. Para começar, os argumentos de Sandel também recomendam a proibição da prostituição e da barriga de aluguel, por exemplo, que me parecem atividades legítimas. Mais importante, para opor-se à destruição de valores ocasionada pela monetização, em muitos casos é preciso eleger um padrão universal a ser preservado, o que exige a criação de uma espécie de moral oficial – e isso é para lá de problemático.


(Hélio Schwartsman, A ética da fila. Folha de S.Paulo, 28.04.2013)


Na passagem – … que me parecem atividades legítimas. –, o termo em destaque significa

  1. genuínas.
  2. verossímeis.
  3. contundentes.
  4. necessárias.
  5. ilícitas.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase "que me parecem atividades legítimas", o autor qualifica prostituição e barriga de aluguel como práticas moralmente ou socialmente aceitáveis. Nesse uso, legítimas indica algo reconhecido como justificável ou autorizado no plano prático e normativo.

A alternativa genuínas corresponde a esse sentido na medida em que transmite a ideia de algo autêntico e verdadeiro — isto é, que merece crédito ou aceitação como real e justificado. Assim, ao escolher “genuínas” reconhece‑se que o autor considera aquelas atividades como dotadas de legitimidade social ou moral, não meramente hipotéticas ou espúrias.

Portanto, genuínas funciona aqui como sinônimo adequado para o emprego de legítimas no contexto do texto: indica aceitação e validade das práticas mencionadas.

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