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Questão FC409056

Sinha Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido umas inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano, que não esperava semelhante desatin

Sintaxe

VUNESP

Sinha Vitória tinha amanhecido nos seus azeites. Fora de propósito, dissera ao marido umas inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano, que não esperava semelhante desatino, apenas grunhira: – “Hum! hum!” E amunhecara, porque realmente mulher é bicho difícil de entender, deitaras-e na rede e pegara no sono. Sinha Vitória andara para cima e para baixo, procurando em que desabafar. Como achasse tudo em ordem, queixara-se da vida. E agora vingava-se em Baleia, dando-lhe um pontapé.


Avizinhou-se da janela baixa da cozinha, viu os meninos, entretidos no barreiro, sujos de lama, fabricando bois de barro, que secavam ao sol, sob o pé de turco, e não encontrou motivo para repreendê-los. Pensou de novo na cama de varas e mentalmente xingou Fabiano. Dormiam naquilo, tinham-se acostumado, mas seria mais agradável dormirem numa cama de lastro de couro, como outras pessoas.


Fazia mais de um ano que falava nisso ao marido. Fabiano a princípio concordara com ela, mastigara cálculos, tudo errado. Tanto para o couro, tanto para a armação. Bem. Poderiam adquirir o móvel necessário economizando na roupa e no querosene. Sinha Vitória respondera que isso era impossível, porque eles vestiam mal, as crianças andavam nuas, e recolhiam-se todos ao anoitecer. Para bem dizer, não se acendiam candeeiros na casa. Tinham discutido, procurando cortar outras despesas. [...]


Um mormaço levantava-se da terra queimada. Estremeceu lembrando-se da seca, o rosto moreno desbotou, os olhos pretos arregalaram-se. Diligenciou afastar a recordação, temendo que ela virasse realidade. Rezou baixinho uma avemaria, já tranquila, a atenção desviada para um buraco que havia na cerca do chiqueiro das cabras. Esfarelou a pele de fumo entre as palmas das mãos grossas, encheu o cachimbo de barro, foi consertar a cerca.


(Graciliano Ramos. Vidas Secas. Adaptado)

 

Considere as passagens do texto:


• Como achasse tudo em ordem, queixara-se da vida.;


• ... Dormiam naquilo, tinham-se acostumado, mas seria mais agradável dormirem numa cama de lastro de couro, como outras pessoas.


De acordo com a norma-padrão, as orações em destaque reportam

  1. ao processo de subordinação e ao de coordenação, respectivamente: a primeira é adverbial causal; a segunda, coordenada adversativa.
  2. ao processo de subordinação, nos dois casos, classificando- se, respectivamente, como adverbial conformativa e adverbial concessiva.
  3. ao processo de coordenação e ao de subordinação, respectivamente: a primeira é coordenada assindética; a segunda, adverbial consecutiva.
  4. ao processo de coordenação, nos dois casos, classificando- se, respectivamente, como coordenada explicativa e coordenada adversativa.
  5. ao processo de subordinação e ao de coordenação, respectivamente: a primeira é adverbial comparativa; a segunda, coordenada aditiva.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Subordinação: a oração "Como achasse tudo em ordem" funciona como oração subordinada adverbial causal. A conjunção "Como" introduz a razão de Sinhá Vitória ter-se queixado — equivale a "já que"/"uma vez que" — e depende sintaticamente da oração principal "queixara‑se da vida".


Coordenação: a oração "mas seria mais agradável dormirem numa cama de lastro de couro" integra um período composto por orações coordenadas. A conjunção "mas" estabelece relação de oposição em relação à ideia anterior ("Dormiam naquilo, tinham‑se acostumado"), pelo que a oração se classifica como coordenada adversativa.


Assim, a primeira pertence ao processo de subordinação (adverbial causal) e a segunda ao de coordenação (coordenada adversativa).

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