Questão FC409083
Os Zéfiros 1 brincar por entre as flores?
Linguagem
Leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, para responder a questão.
Olha, Marília, as flautas dos pastores,
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes
Os Zéfiros 1 brincar por entre as flores?
Vê como ali, beijando-se, os Amores
Incitam nossos ósculos 2 ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!
Naquele arbusto o rouxinol suspira;
Ora nas folhas a abelhinha para.
Ora nos ares, sussurrando, gira.
Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah!, tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a noite me causara.
(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
1 Zéfiro: vento que sopra do ocidente. 2 ósculo: beijo.
Ao longo do soneto, o eu lírico recorre reiteradamente ao seguinte recurso retórico:
- metalinguagem.
- ironia.
- pleonasmo.
- personificação.
- antítese.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa correta recorre à personificação (ou prosopopeia), figura que atribui ações, sentimentos ou qualidades humanas a seres inanimados ou à natureza.
No soneto, o eu lírico faz a natureza agir como pessoa: "Olha o Tejo a sorrir-se", "os Zéfiros brincar por entre as flores", "o rouxinol suspira". Essas imagens transformam elementos naturais em agentes com comportamento humano.
O recurso intensifica a sensorialidade e o tom emotivo do poema: ao humanizar o cenário, o poeta torna visível o reflexo dos seus afetos na paisagem, aproximando sentimento e imagem.
Portanto, a repetida atribuição de ações humanas à natureza caracteriza claramente a opção por personificação.
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