Questão FC409085
Leia o texto para responder à questão. Somos uma espécie pré-histórica perdida nas redes sociais e nos shoppings As crianças deveriam estudar a pré-história para conhecerem melhor
Linguagem
Leia o texto para responder à questão.
Somos uma espécie pré-histórica perdida nas redes sociais e nos shoppings
As crianças deveriam estudar a pré-história para conhecerem melhor a nossa ancestralidade. O livro lançado nos Estados Unidos “A Hunter-Gatherer’s Guide to the 21st Century: Evolution and the Challenges of Modern Life”, do casal de biólogos evolucionistas Heather Heying e Bret Weinstein, é um belo exemplo da nossa ancestralidade renegada pela experiência contemporânea.
O livro, pensado como um guia do caçador-coletor que ainda habita em nós, os modernos do século 21 – essa é uma síntese do título em inglês –, é muito rico em detalhes sobre o mal que as “hipernovidades”, usando o termo dos autores, têm causado para uma espécie como a nossa, que data do paleolítico superior.
Ou seja, somos uma espécie pré-histórica perdida nas redes sociais e nos shoppings. Nosso organismo é o mesmo há pelo menos 200 mil anos. O habitat ao qual estamos adaptados é aquele em que viviam os caçadores-coletores. Mal começamos a ser agricultores massivamente, e a Revolução Industrial capitalista atropelou esse lento processo de mudança para nos lançar em um furacão de transformação do habitat e dos modos de vida.
Nossa cultura e hábitos se transformam mais rápido do que os nossos genes, que são os mesmos há centenas de milênios e estão ancorados num tempo ancestral genético estranho ao mundo moderno. Nossa (epi)genética, ou seja, a base de como agimos, é pré-histórica, importando muito pouco o que pensamos sobre a tal da construção social.
Esses modos de vida englobam hábitos religiosos, mobilidade, alimentação, afetos, organização da violência, sexualidade, tecnologias, conhecimentos e autoconhecimentos diversos.
A intenção dos autores é, numa linguagem casual e sem afetações técnicas, alertar para essa enorme ignorância quanto à nossa real ancestralidade e ir além do tão em voga fetiche das identidades. Nossa característica mais profunda e permanente é a do caçador-coletor tentando se achar num mundo que não é mais o seu. E essa identidade não é somente cultural, mas também biológica e psicológica.
(Luiz Felipe Pondé. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. 12.12.2021. Adaptado)
No contexto de leitura, está empregada em sentido figurado a palavra destacada em:
- As crianças deveriam estudar a pré-história para conhecerem melhor a nossa ancestralidade. (1o parágrafo)
- ... que são os mesmos há centenas de milênios e estão ancorados num tempo ancestral genético estranho ao mundo moderno. (4o parágrafo)
- ... é um belo exemplo da nossa ancestralidade renegada pela experiência contemporânea. (1o parágrafo)
- Ou seja, somos uma espécie pré-histórica perdida nas redes sociais e nos shoppings. (3o parágrafo)
- Nossa característica mais profunda e permanente é a do caçador-coletor tentando se achar num mundo que não é mais o seu. (último parágrafo)
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Gabarito
B
Comentário do professor
Ancorados, no trecho “estão ancorados num tempo ancestral genético”, é usado em sentido conotativo.
No sentido literal, ancorar remete a uma âncora náutica que fixa uma embarcação. Aqui, porém, a palavra funciona como metáfora.
Nesse uso figurado, ancorados equivale a fundados, alicerçados ou arrimados — indica que nossos genes têm uma base estável e enraizada num passado remoto, não que estejam fisicamente presos por uma âncora.
A escolha metafórica reforça a ideia central do texto: a permanência e a resistência da herança biológica frente às rápidas transformações culturais.
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