Questão FC409115
Ao coração que sofre, separado Do teu(d), no exílio em que a chorar me vejo, Não basta o afeto simples e sagrado(a) Com que das desventuras me protejo(c). Não me basta saber que so
Linguagem
Ao coração que sofre, separado
Do teu(d), no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado(a)
Com que das desventuras me protejo(c).
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado(b),
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar(e).
(Melhores poemas, 2000.)
A preocupação formal com a musicalidade dos versos é confirmada pelo emprego da
- metáfora em “Não basta o afeto simples e sagrado”.
- aliteração em “Ter na boca a doçura de teu beijo”.
- prosopopeia em “Com que das desventuras me protejo”.
- hipérbole em “Ao coração que sofre, separado / Do teu”.
- antítese em “Ficar na terra e humanamente amar”.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Aliteração é a repetição de fonemas — consoantes ou vogais — visando produzir efeito sonoro e reforçar o ritmo e a expressividade do verso.
No verso “Ter na boca a doçura de teu beijo”, a técnica aparece claramente: há repetição dos sons dentais /t/ (Ter, teu) e dos bilabiais /b/ (boca, beijo), além do oclusivo /d/ em doçura/de.
Essa combinação de sons aproxima palavras semanticamente relacionadas (boca–beijo; ter–teu), criando uma unidade fônica que realça a sensualidade e a sonoridade do segmento.
Portanto, a escolha vocabular e o encadeamento fonético conferem musicalidade e ênfase afetiva ao verso, caracterizando-o como exemplo típico de aliteração.
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