Questão FC409125
Traz saudade de alguma Baviera Se a poesia é tua, e em cada mesa Há um pecador morrendo de beleza?
Linguagem
Leia o poema para responder à questão.
Soneto Sentimental à Cidade de São Paulo
Ó cidade tão lírica e tão fria!
Mercenária, que importa – basta! – importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia
Não te amo à luz plácida do dia
Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e frígida.
Sinto como a tua íris fosforeja
Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal há se o lar onde se espera
Traz saudade de alguma Baviera
Se a poesia é tua, e em cada mesa
Há um pecador morrendo de beleza?
(Vinicius de Moraes, Poemas esparsos. 2008)
Ao descrever a cidade, o eu lírico vale-se de termos e expressões em sentido
- próprio, por meio dos quais idealiza São Paulo.
- próprio, por meio dos quais desqualifica São Paulo.
- figurado, por meio dos quais questiona as belezas de São Paulo.
- figurado, por meio dos quais desdenha de São Paulo.
- figurado, por meio dos quais personifica São Paulo.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O eu lírico descreve a cidade por meio de sentido figurado, atribuindo-lhe ações e atributos humanos, ou seja, personifica São Paulo.
Essa figura de linguagem é a prosopopeia (ou personificação): atribuição de características humanas a seres inanimados ou abstratos, usada para tornar a descrição mais viva e emotiva.
No poema aparecem expressões que confirmam essa estratégia: tão lírica, tão fria, mercenária, repousas morta, te possuo nua e frígida, tua íris fosforeja. Todas elas promovem ação e sentimento à cidade, como se fosse pessoa.
Portanto, a alternativa correta indica que o eu lírico usa linguagem figurada para personificar São Paulo.
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