Questão FC409128
A invasão A divisão ciência/humanismo se reflete na maneira como as pessoas, hoje, encaram o computador. Resiste-se ao computador, e a toda a cultura cibernética, como uma forma de
Linguagem
A invasão
A divisão ciência/humanismo se reflete na maneira como as pessoas, hoje, encaram o computador. Resiste-se ao computador, e a toda a cultura cibernética, como uma forma de ser fiel ao livro e à palavra impressa. Mas o computador não eliminará o papel. Ao contrário do que se pensava há alguns anos, o computador não salvará as florestas. Aumentou o uso do papel em todo o mundo, e não apenas porque a cada novidade eletrônica lançada no mercado corresponde um manual de instrução, sem falar numa embalagem de papelão e num embrulho para presente. O computador estimula as pessoas a escreverem e imprimirem o que escrevem. Como hoje qualquer um pode ser seu próprio editor, paginador e ilustrador sem largar o mouse, a tentação de passar sua obra para o papel é quase irresistível.
Desconfio que o que salvará o livro será o supérfluo, o que não tem nada a ver com conteúdo ou conveniência. Até que lancem computadores com cheiro sintetizado, nada substituirá o cheiro de papel e tinta nas suas duas categorias inimitáveis, livro novo e livro velho. E nenhuma coleção de gravações ornamentará uma sala com o calor e a dignidade de uma estante de livros. A tudo que falta ao admirável mundo da informática, da cibernética, do virtual e do instantâneo acrescente-se isso: falta lombada.
No fim, o livro deverá sua sobrevida à decoração de interiores.
(O Estado de S.Paulo, 31.05.2015.)
Em “falta lombada” , o cronista se utiliza, estilisticamente, de uma figura de linguagem que
- representa uma imagem exagerada do que se quer exprimir.
- se baseia numa analogia ou semelhança.
- emprega a palavra que indica a parte pelo todo.
- emprega a palavra que indica o todo pela parte.
- se baseia na simultaneidade de impressões sensoriais.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Sinédoque é a figura de linguagem em que se usa uma parte para representar o todo (pars pro toto) ou vice‑versa. Ao dizer "falta lombada", o cronista emprega a palavra lombada — parte física do livro — para indicar a ausência dos próprios livros nas prateleiras.
Esse uso concentra a imagem num elemento concreto e reconhecível (a lombada), tornando a ideia mais vívida: não se refere apenas ao objeto técnico, mas ao conjunto que ele simboliza — estantes, decoração e presença material do livro.
Assim, a expressão funciona como sinédoque, condensando o significado do todo por meio de uma parte e reforçando o efeito estilístico e argumentativo do trecho.
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