FC ConcursosFC Concursos

Questão FC409169

– Muito bem! Você está aprovado. Quer começar amanhã na locução?

Morfologia

VUNESP · 2014

Leia o texto para responder à questão.


Sob ordens da chefia


Ah, os chefes! Chefões, chefinhos, mestres, gerentes, diretores, quantos ao longo da vida, não? Muitos passam em brancas nuvens, perdem-se em suas próprias e pequenas histórias. Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem nítidas na memória: são aqueles donos de qualidades incomuns.


Por exemplo, o meu primeiro chefe, lá no finalzinho dos anos 50: cinco para as oito da noite, e eu começava a ficar aflito, pois o locutor do horário ainda não havia aparecido. A rádio da pequena cidade do interior, que funcionava em três horários, precisava abrir às oito e como  fazer? Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário, precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o locutor não chegava para os textos de abertura, publicidade, chamadas. Meu chefe, de lá, tomou a iniciativa: – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá pro estúdio e ponha a rádio no ar. Vamos lá, firme, coragem! – foi a minha primeira experiência: fiz tudo como mandava e ele pôde, assim, transmitir tudo sem problemas.


No dia seguinte, muita apreensão logo de manhã, aguardando o homem. Será que tinha alguma crítica? Mas eis que ele chega, simpático e sorridente como sempre, e me abraça.


– Muito bem! Você está aprovado. Quer começar amanhã na locução?


Alguns meses antes do seu falecimento, reencontrei-o num lançamento de livro: era o mesmo de cinquenta e tantos anos atrás: magrinho, calva luzidia, falante, sempre cheio de planos para o futuro.


E o chefe das pestanas brancas, anos depois: estremecíamos quando ele nos chamava para qualquer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já suando frio e atentos às suas finas e cortantes palavras. Olhar frio, imperturbável, postura ereta, ágil, sempre trajando ternos impecáveis. Suas atitudes? Dinâmicas, surpreendentes.


Uma vez, precisando de algumas instruções, perguntei a sua secretária se poderia “entrar”.


– Não vai dar. – Respondeu-me ela. – Está ocupadíssimo, em reunião. Mas volte aqui um pouco mais tarde. Vamos ver!


Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e quase não acreditei no que ouvi: – Sinto muito, o chefe está viajando para a Alemanha.


Era bem diferente daquele outro da mesma empresa, descontraído, amigão de todos: não era somente um chefe, era um líder, bem conhecido entre os revendedores. Todos sentíamos prazer em trabalhar com ele, e para ele. Até quando o serviço resultava numa sonora bronca – sempre justificada, é claro. Jeitão simples, de fino humor, tratava tudo com o tempero da sua criatividade nata. “Punha para frente” até quem precisava demitir: intercedia lá fora em seu favor, o que víamos com nossos próprios olhos.


Não chamava ninguém do seu pessoal a toda hora, a não ser que o assunto fosse sério mesmo: se tinha algo a tratar no dia a dia, chegava pessoalmente, numa boa, às vezes até sentava numa de nossas mesas para expor o assunto. Aliás, era o único chefe que se lembrava de me dar um abraço e dizer “parabéns” no dia do meu aniversário.


(Gustavo Mazzola, Correio Popular, 04.09.2013, http://zip.net/brl0k3. Adaptado)

 

As formas verbais conjugadas no modo imperativo, expressando ordem, instrução ou comando, estão destacadas em

  1. Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem nítidas na memória: são aqueles donos de qualidades incomuns. (primeiro parágrafo)
  2. Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e quase não acreditei no que ouvi... (nono parágrafo)
  3. – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá pro estúdio e ponha a rádio no ar. (segundo parágrafo)
  4. Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário, precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o locutor não chegava para os textos de abertura, publicidade, chamadas. (segundo parágrafo)
  5. ... estremecíamos quando ele nos chamava para qualquer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já suando frio e atentos às suas finas e cortantes palavras. (sexto parágrafo)
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Certo

Comentário do professor

Na frase indicada, as formas verbais estão no modo imperativo, que serve para transmitir ordens, instruções ou convites à ação. O enunciador chama o interlocutor com “Ei rapaz” (vocativo) e em seguida manda o que deve ser feito.

As formas deixe, largue, vá e ponha são imperativas: cada uma expressa um comando direto ao destinatário da fala. Sintaticamente funcionam como verbos no imperativo afirmativo, exigindo execução imediata das ações (manter o microfone ligado, largar o objeto, ir ao estúdio e colocar a rádio no ar).

Portanto, essas formas caracterizam-se por indicar ordem/instrução, justificando por que a alternativa C é a correta: reúne exclusivamente verbos conjugados no modo imperativo.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo