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Questão FC409175

Leia o texto, para responder à questão. O bonito, o sublime, o gostoso de Brasil X Espanha foi a angústia. Nós sabemos que o martírio é que dá a um jogo, seja ele um clássico ou um

Morfologia

VUNESP · 2014

Leia o texto, para responder à questão.


O bonito, o sublime, o gostoso de Brasil X Espanha foi a angústia. Nós sabemos que o martírio é que dá a um jogo, seja ele um clássico ou uma pelada, um charme desesperador. Ora, a batalha com os espanhóis teve todos os matadouros emocionais. Eis uma partida que pôs em cada coração uma fluorescente coroa de espinhos. Fomos, até o primeiro gol, 75 milhões de cristos.


Começou a batalha e cada brasileiro estava abraçado, atracado a seu radiozinho de pilha. Entre nós e a peleja erguiam- -se os Andes, hieráticos e tristíssimos. Havia, por aqui, um certo pavor da Espanha – velha pátria, constelada de feridas. O Brasil entrou mal, o Brasil entrou péssimo. Ou por outra: – o Brasil, no primeiro tempo, não era o Brasil, era o anti-Brasil, a negação do Brasil. O sujeito procurava o escrete e não encontrava o escrete.


A Espanha triturava a seleção de ouro, que não era mais de ouro, era de lata, era de zinco, sei lá. E só um homem, entre os brasileiros, continuava a ser o mesmo, eternamente o mesmo: – Garrincha. Sim, do primeiro ao último minuto, o Mané foi o Mané. Passou como quis pelo Gracía. Caçaram-no a patadas, como uma ratazana. Mas ele ia passando, dir-se-ia um maravilhoso ser incorpóreo, os espanhóis o massacravam e Garrincha sobrevivia ao próprio assassinato.


Fora Garrincha, ninguém mais. Os negros ornamentais, folclóricos, divinos, deixavam-se bater, miseravelmente. E todos sentimos que a ausência de Pelé estava cravada no coração do Brasil. Faltava Pelé e o escrete murchava como um balão japonês apagado. Amigos, durante os 45 minutos o fracasso do Brasil doeu mais, aqui, do que a humilhação de Canudos. Cada um de nós sentiu-se direta e pessoalmente degradado.


(Nelson Rodrigues, O “Possesso” é nosso.

A pátria em chuteiras: novas crônicas de futebol.)

 

Assinale a alternativa em que os verbos derivados de pôr, empregado na frase – Eis uma partida que pôs em cada coração uma fluorescente coroa de espinhos. –, estão conjugados de acordo com a norma-padrão.

  1. Se o time se predispor a treinar com afinco, teremos condições de esperar melhores resultados.
  2. Caso dispossem de jogadores melhores, os times poderiam vencer todas as competições.
  3. O Brasil jogará melhor quando o treinador recompuser o time, depois da contusão de seus melhores atletas.
  4. Eis a pergunta que não quer calar: “E se os craques não se disporem a jogar bem, para facilitar a vitória do adversário?”
  5. Houve problema naquela ocasião, porque os treinadores se indisporam com os atletas.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Na frase, a conjunção quando introduz uma oração temporal que exige o futuro do subjuntivo, usado para indicar hipótese ou ação futura condicionada.

Esse tempo é formado a partir do pretérito perfeito (3.ª pessoa do plural) do verbo. Tomemos recompor: a 3.ª pl. do pretérito é recompuseram. Retira-se o sufixo -am e obtém-se o radical recompuser-.

Acrescentam‑se, então, as desinências do futuro do subjuntivo: quando eu recompuser, quando tu recompuseres, quando ele recompuser. Na oração dada, trata‑se da 3.ª pessoa do singular, portanto a forma correta é recompuser, o que justifica a correção da alternativa.

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