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Questão FC409188

– Aceita?

Morfologia

VUNESP · 2013

Leia o texto para responder à questão.


Caça aos clientes


Gosto de entrar nas lojas calmamente. Passear olhando os produtos. Ultimamente, tornou-se impossível. Certos vendedores ficam na cola da gente! Dia desses, fui a uma loja de decoração. Uma jovem elegantíssima aproximou-se.

– Já conhece nossa linha?

– Ah, só estou passeando.

É mentira, claro. Quem entra em uma loja tem o sonho de comprar. Falar em olhar é o mesmo que dizer:

– Vê se não enche.

A vendedora era do tipo insistente. Se eu dava dois passos e parava diante de um móvel, corria a abrir as gavetas.

– Veja o acabamento! Preste atenção no detalhe de madeira.

Fugi, constrangido! Joalherias são as piores. Admiro um anelzinho na vitrine. Pode ser um ótimo presente de Natal!

Entro, meio sem jeito com o ambiente em que tudo parece tão caro.

– Queria saber o preço daquele anelzinho.

A mocinha lança um olhar dominador:

– Sente-se.

– Mas...

Quase me empurra na cadeira. Vai buscar o mostruário. Observo a porta, esperançoso. Poderia sair correndo, perder-me nos corredores do shopping. Tarde demais. Ela retorna com o tesouro de Ali Babá. Mostra. O tal anelzinho é barato. Sugere uma gargantilha de safira e brincos combinando...

Quando vejo, estou pagando as peças em três vezes!

E roupas, então? Vendedor sabe o significado da palavra impulso. É assim: a gente bota uma roupa no provador. Respira fundo para a calça fechar. A barriga parece sumir. Compra. Em casa, o botão estoura. A camiseta sobe e o umbigo fica de fora!

Portanto, tento ser cauteloso.

– Só uma camisa branca.

– Estamos com uma promoção em ternos.

– Ah, terno eu nunca uso!

Recebo de volta um olhar desconfiado. Como pode existir alguém que não veste terno? Conclui que devo estar mentindo.

Cochicha no meu ouvido:

– Aproveite, está a 50%.

– Para pendurar no armário e não usar o terno nunca?

Suas pupilas se fixam em outro cliente entrando. Ar próspero. Suspira. Leio em sua expressão:

– Por que fui atender logo esse chato?

Até em supermercados anda difícil. Estou parado diante dos produtos light, repleto das melhores intenções. Uma demonstradora aproxima-se com a bandejinha lotada de petiscos.

– Aceita?

Ainda não almocei. Tenho vontade de roubar a bandeja e fugir correndo. Respondo cortesmente:

– Agradeço. Mas estou de regime.

Ela sorri e se afasta. Dou dois passos, e ela reaparece na minha frente.

– Aceita?

– Bem...

Apodero-me de quatro torradas e cubro cada uma com um sabor diferente. Rapidamente, ela indica:

– Olhe, o produto é este aqui.

Abarroto o carrinho justamente de todos os petiscos que havia jurado nunca mais levar à boca!

Está certo. Não se pode culpar o vendedor. Mas, sinceramente, muitas vezes parece que está aberta a temporada de caça aos clientes! Certos vendedores agarram-se a mim como carrapato. E o pior: nem me deixam comprar em paz!
 

(Walcyr Carrasco, revista VejaSP, 24.09.2011. Adaptado)


Considere algumas frases dos vendedores.


– Veja o acabamento! Preste atenção no detalhe de madeira.

– Aproveite, está a 50%.

– Olhe, o produto é este aqui.


Os verbos em destaque foram empregados no modo

  1. subjuntivo, pois expressam uma imposição dos vendedores que não admitem recusa por parte do narrador.
  2. imperativo, pois evidenciam o desejo dos vendedores de persuadir o narrador e interferir em seu comportamento.
  3. indicativo, pois evidenciam a habilidade dos vendedores, apesar de alguns deles agirem de forma inconveniente.
  4. indicativo, pois expressam a expectativa dos vendedores em decorrência da possibilidade de realizarem uma venda.
  5. imperativo, pois evidenciam a postura cerimoniosa dos vendedores, o que deixa o narrador muito à vontade.
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Gabarito

B

Comentário do professor

As formas verbais destacadas estão no modo imperativo. Esse modo é usado para expressar ordem, pedido ou convite à ação, ou seja, pretende provocar uma reação no interlocutor.

No texto, os comandos dos vendedores — Veja, Preste atenção, Aproveite, Olhe — são instruções dirigidas ao narrador com a finalidade de persuadir e influenciar seu comportamento de compra.

Gramaticamente, o imperativo dirige-se ao ouvinte (segunda pessoa) e, em muitas formas, coincide com construções derivadas do presente do subjuntivo; funcionalmente, porém, sua marca principal é a intenção de induzir uma ação imediata.

Portanto, a alternativa correta é a que nomeia o imperativo, pois evidencia o desejo dos vendedores de interferir nas escolhas do narrador.

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