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Questão FC409205

Leia o texto para responder à questão. A língua frouxa O poeta Ezra Pound dizia que era preciso manter a língua eficiente. Palavras corrompidas, usadas fora de contexto, e a substi

Morfologia

VUNESP · 2013

Leia o texto para responder à questão.

 

A língua frouxa

 

O poeta Ezra Pound dizia que era preciso manter a língua eficiente. Palavras corrompidas, usadas fora de contexto, e a substituição arbitrária e compulsória de umas por outras tornam a língua pobre, imprecisa, ineficiente. Com isso, produzem pensamentos frouxos, e a vida vai para o beleléu.

 

Ao agradecer, por exemplo, quase ninguém mais diz “Obrigado”. O gato comeu o primeiro “o”. Milhões agora gorgolejam um excruciante “Brigado”. Não que isso seja novidade – apenas tornou-se uma regra não escrita. Naturalmente, o mesmo empobrecimento que produz o “brigado” impede que, se for uma mulher, ela diga “Obrigada”.

 

Da mesma forma, quando alguém hoje nos lisonjeia com um “Obrigado” (ou seu correspondente “Obrigada”), abandonamos a resposta clássica, sóbria e elegante, “De nada” ou “Por nada”. Em vez disso, cacarejamos “Imagina!” – como se ficássemos sinceramente ofendidos por alguém estar nos agradecendo. Há casos em que, não contente, a pessoa solta: “Magina!”. Proponho o seguinte: se alguém nos diz “Brigado!”, fica liberado o uso de “Magina!” – uma elocução merece a outra.

 

E o que dizer do “Com certeza!”? Há anos, mandou para o limbo uma variedade de opções, como “Claro!”, “Sem dúvida!”, “Evidente!” ou “Certo!”, além do melhor e tão mais simples “Sim!”. Jogadores de futebol, nas torturantes entrevistas que concedem ao fim da partida, são os grandes abonadores do “Com certeza!”. Quase sempre, sem saber o que significa.

 

O locutor pergunta: “Fulaninho, vocês perderam por 10 a 0. Como será o próximo jogo?”. O craque responde: “Com certeza. Agora é levantar a cabeça e trabalhar duro para vencer o próximo jogo e conquistar nossos objetivos”. O locutor só pode agradecer: “Brigado!”.

 

E o craque, retrucar: “Magina!”.

 

(Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 01.11.2008. Adaptado)

 

Em – Há anos, mandou para o limbo uma variedade de opções… –, o verbo haver contribui para marcar a passagem do tempo.

 

Assinale a alternativa em que o verbo em destaque exerce a mesma função e foi empregado de acordo com a norma- padrão.

  1. Foi uma alegria quando se encontraram, pois faziam anos que não se viam.
  2. Passou-se meses antes que ele tivesse coragem para fazer a cirurgia.
  3. Os policiais procuravam o grupo de turistas perdido na mata já haviam dias.
  4. De janeiro até hoje, vão-se meses e a reforma do edifício não avança.
  5. Têm décadas que esta comunidade espera por saneamento básico para a região.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Na oração De janeiro até hoje, vão-se meses..., o verbo ir indica passagem de tempo (tempo decorrido), ou seja, informa quantos dias/meses/anos transcorrem até o momento referido.

Esse uso de ir é pessoal: tem sujeito. Aqui o sujeito é meses (plural), portanto o verbo concorda no plural — por isso vão e não vai.

O pronome se funciona como partícula que confere voz passiva sintética ou indeterminação formal, mas não elimina o sujeito explícito. Como o sujeito ("meses") está no plural e posposto, a concordância em plural é exigida.

Assim, a forma De janeiro até hoje, vão-se meses está correta: o verbo concorda com o sujeito plural que expressa o tempo decorrido.

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