Questão FC409212
Leia o texto para responder a questão. Mágicas e exatas Ruy Castro Conheço gente que trocou de profissão, de ideologia política, de nacionalidade, mas continuou firme na preferênci
Morfologia
VUNESP · 2013
Leia o texto para responder a questão.
Mágicas e exatas
Ruy Castro
Conheço gente que trocou de profissão, de ideologia política, de nacionalidade, mas continuou firme na preferência quanto ao clube de futebol. E houve outro quesito que, em certa época, disputou com o futebol essa fidelidade carnívora – quando tivemos de trocar a máquina de escrever pelo computador.
Foi em meados dos anos 80. Éramos felizes com nossas Remingtons e Olivettis, até que uma pressão vinda de todos os lados começou a nos empurrar para o computador doméstico. Muitos resistimos à novidade, como quem defende a bandeira do seu clube. No meu caso, fiquei firme até 1988, quando dois amigos me confessaram sua conversão àquele aparelho silencioso, que permitia reescrever e mover frases e parágrafos sem o cansativo recurso de bater xis, cobrir de tinta e fazer a emenda à mão ou à máquina.
Por causa deles, aderi. Afinal, pensei, estava apenas trocando uma máquina de escrever por outra. E quer saber? Nunca me arrependi. Acho até que a geringonça me salvou a vida, permitindo- me produzir com metade do esforço e o dobro da velocidade. Minha Remington foi para um armário, onde está até hoje, há anos sem a esmola de um olhar.
Um livro enviado por uma amiga, no entanto, me fez repensar o caso: o delicioso “Retratos Parisienses”, com entrevistas e perfis de escritores e pintores franceses por Rubem Braga. Logo nas primeiras páginas, reproduz-se um original de Rubem – uma página datilografada, sobre seu encontro com Jean-Paul Sartre, estupidamente bem escrita e quase sem emendas.
Era possível escrever à máquina, de primeira, sem erros e já com as palavras mágicas e exatas. Bastava ser Rubem Braga.
(Folha de S.Paulo. 18.03.2013. Adaptado)
Considere o trecho a seguir.
Quando o computador doméstico começou a se popularizar, ainda muitos usuários de máquinas de escrever que se recusavam a substituí-las pelos novos aparelhos, pois já muitos anos que as máquinas vinham sendo utilizadas, e sempre aqueles que veem com desconfiança as novidades tecnológicas.
Considerando-se a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
- haviam ... faziam .... existem
- havia ... fazia ... existem
- havia ... faziam ... existe
- haviam ... fazia ... existe
- havia ... fazia ... existe
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Gabarito
B
Comentário do professor
A opção correta é: havia ... fazia ... existem. Explica-se pela natureza dos verbos e pela concordância.
O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e fica sempre no singular: por isso havia muitos usuários.
O verbo fazer, quando indica tempo decorrido, também é impessoal e exige o singular: assim, fazia muitos anos.
Já o verbo existir é pessoal; tem sujeito. Na última oração o sujeito é “aqueles” (plural), logo o verbo concorda no plural: existem.
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