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Questão FC409232

Meninos e gibis Fomos uma geração de bons meninos. E acreditem: em boa parte por causa dos heróis dos quadrinhos. Éramos viciados em gibis. Nosso ideal do bem pode ser creditado ao

Colocação Pronominal

VUNESP · 2023

Meninos e gibis

 

Fomos uma geração de bons meninos. E acreditem: em boa parte por causa dos heróis dos quadrinhos. Éramos viciados em gibis. Nosso ideal do bem pode ser creditado ao Batman & Cia. Os heróis eram o exemplo máximo de bravura, doação e virtude.

 

Gibis abasteciam de ética o vasto campo da fantasia infantil, sem cobrar pela lição. Não era só por exigência da família, da escola ou da religião que os meninos tinham de ser bons e retos: eles queriam ser retos e bons – como os heróis.

 

Viviam o bem na imaginação, porque o bem era a condição do herói. A lei e a ordem eram a regra dentro da qual eles transitavam. Eram o lado certo que combatia o lado errado.

 

Atualmente não sei. Parei de ler gibis, só pego um ou outro da seção nostalgia. Nos anos 70 e 80, ainda surgiram heróis interessantes, mas alguns parecem cheios de ódio, como o Wolverine, ou vítimas confusas sem noção de bem e mal, como o Hulk. Complicou-se a simplicidade do bem. Na televisão, os heróis urram, gritam, destroem, torturam, estridentes como os arqui-inimigos maléficos. Não são simples e afinados com seus dons, como os heróis clássicos, são complexos, dramáticos e ambíguos, como ficou o mundo.

 

E a generosidade e a renúncia? Ah, os heróis antigos abriam mão de necessidades pessoais: atividades particulares, noivas, afetos, bens – tudo ficava em segundo plano. E a modéstia? Muitos tinham uma identidade secreta, não visavam ao aplauso pessoal. Longe deles a pretensão do brilho e a tentação das revistas de celebridades. E a coragem? Nada havia que os intimidasse. Não conheço ninguém assim, mas acalento a expectativa otimista de que essa generosidade um dia se manifeste não em mim (modesto de santidade e preguiçoso de ações), mas em alguém.

 

É difícil avaliar quanto dessas virtudes resistiu dentro de nós, mas as habilidades e os superpoderes certamente convivem conosco no campo dos sonhos e delírios.

 

(Ivan Angelo. https://vejasp.abril.com.br/cidades/meninos-gibis. Adaptado)

 

Considere as seguintes frases elaboradas a partir do texto.

 

\(\bullet\) Adulto, o cronista parou de ler gibis e eventualmente              da seção nostalgia.

 

\(\bullet\) O autor sabe que, as qualidades de um herói, ele não            .

 

\(\bullet\) Nos anos 70 e 80, criaram-se heróis cheios de ódio, característica que            dos inimigos.

 

Segundo a norma-padrão de emprego e de colocação dos pronomes, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:

  1. pega-lhes ... as possui ... aproxima-os
  2. lhes pega ... lhes possui ... os aproxima
  3. pega-os ... possui-lhes ... aproxima-os
  4. os pega ... lhes possui ... os aproxima
  5. os pega ... as possui ... os aproxima
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa E é correta porque respeita a regência dos verbos e a colocação pronominal (próclise). Todos os verbos envolvidos são transitivos diretos, portanto exigem pronomes oblíquos que substituam objeto direto: os (masculino plural) ou as (feminino plural).

Na primeira oração, "Adulto, o cronista parou de ler gibis e eventualmente os pega da seção nostalgia": pegar exige objeto direto (gibis → os). O advérbio eventualmente atrai o pronome para a próclise: eventualmente os pega.

Na segunda, "...ele não as possui": possuir exige objeto direto (qualidades → as); a partícula não exige próclise: não as possui.

Na terceira, "característica que os aproxima dos inimigos": aproximar é transitivo direto (heróis → os) e o pronome relativo que atrai o oblíquo: que os aproxima.

Assim, a alternativa E combina forma, concordância e colocação pronominal corretamente.

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