Questão FC409247
Transbordam nas prateleiras das livrarias os manuais de autoajuda. Como ser mais feliz, como ter sucesso, como pensar positivo, como conquistar um amor, como ter mais qualidade de
Colocação Pronominal
VUNESP · 2023
Felicidade Instantânea
Transbordam nas prateleiras das livrarias os manuais de autoajuda. Como ser mais feliz, como ter sucesso, como pensar positivo, como conquistar um amor, como ter mais qualidade de vida. Vendem feito picolé na praia. Eu só me pergunto uma coisa: adianta?
Se o leitor, depois de ler um destes livros, ficar mesmo mais feliz, mais bem-sucedido, mais amado e mais rico, então me curvo. Mas desconfio que o único bem verdadeiro que estes livros fazem é o de dar ao leitor a impressão de que ele está reagindo diante da própria frustração. Se alguém acha que a sua vida, em certo aspecto, não anda legal, o fato de deslocar-se até uma livraria, comprar um destes livros e lê-lo até o fim já configura uma iniciativa, uma atitude favorável a si mesmo. Tenho certeza de que isso ajuda mais que as palavras de ordem contidas nestas publicações, tipo “reinvente sua relação”, “pense se precisa mesmo comprar uma nova torradeira” ou “seja flexível”. Se fosse fácil assim, a psicanálise seria extinguida.
A princípio, todo mundo sabe que deve beber muita água, praticar exercícios, ter autoestima, não se exigir demais, etc.
Só que, para isso deixar de ser uma intenção e se tornar um hábito, a descoberta tem que se dar de dentro para fora, vagarosamente. É preciso mergulhar um pouco mais fundo em busca das próprias necessidades, e este é um aprendizado que se dá através do pensar e do sentir, duas coisas que raríssimos livros de autoajuda estimulam.
Autoajuda, de verdade, são todos os outros livros: romances clássicos, policiais, biografias, ficção científica, crônicas do cotidiano, enfim, tudo que convida à reflexão, tudo que diverte e intriga, faz rir e chorar, tudo que nos auxilia no autorreconhecimento e nos justifica como seres humanos.
(Marta Medeiros, Non-stop: crônicas do cotidiano.)
Considere o texto a seguir.
Diz que o físico falou para o neurocientista: nada é mais complexo do que o universo, origem de tudo o que existe, ao que o outro retrucou: exceto a massa de células que I . O economista que cruzava a praça não teve dúvidas: eis aí dois agentes racionais, maximizando capital social; enquanto o antropólogo II que não atrapalhasse o debate, de interesse etnográfico.
(Álvaro Machado Dias, Piada de cientista. Folha de S.Paulo. 26.07.2022. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão da língua, as lacunas do texto devem ser preenchidas com:
- (I) lhe possibilita conceber-lhe … (II) pedia-lhe
- (I) lhe possibilita concebê-lo … (II) pedia-o
- (I) lhe possibilita concebê-lo … (II) pedia-lhe
- (I) o possibilita concebê-lo … (II) pedia-o
- (I) o possibilita concebê-lo … (II) pedia-lhe
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Na lacuna I a forma correta é lhe possibilita concebê-lo. O verbo possibilitar é bitransitivo (possibilita algo a alguém): lhe funciona como objeto indireto (a quem se possibilita) — aqui, ao neurocientista — e retoma anaforicamente esse participante. A próclise é obrigatória porque o pronome relativo que precede o verbo: «que lhe possibilita...». O pronome -lo em concebê-lo é objeto direto (refere-se ao universo); ao anexá‑lo ao infinitivo, suprime‑se o r final e forma‑se «concebê‑lo».
Na lacuna II, pedia‑lhe está correto: pedir a alguém que..., logo lhe representa o objeto indireto (o economista). Equivale a «o antropólogo pedia a ele que não atrapalhasse».
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