FC ConcursosFC Concursos

Questão FC409254

Texto A imprensa nos tempos de Balzac Releio “Os jornalistas”, de Honoré de Balzac, ele-mesmo um escritor jornalista a apontar desvios da ética na imprensa de seu tempo. Com estile

Colocação Pronominal

VUNESP · 2023

Texto

 

A imprensa nos tempos de Balzac

 

Releio “Os jornalistas”, de Honoré de Balzac, ele-mesmo um escritor jornalista a apontar desvios da ética na imprensa de seu tempo. Com estilete do sarcasmo, indicou a prevalência de “lados da notícia”, a duração dos fatos nas páginas e escondimentos propositais. Beliscou a venalidade de articulistas franceses de meados do século 19. As ambições particulares se sobrepunham às carências coletivas; as impressoras se alocavam às conveniências individuais, governos, corporações ideológicas. Mostrou o jesuitismo artificial de colunistas cercados de bajuladores a aplaudi-los. Encenando imparcialidade, curvavam-se aos influentes e poderosos. Altissonantes, fingiam defender grandes causas, mormente as acenadas como modernas, libertárias.

 

Sobre editores-proprietários-gerentes, Balzac foi ainda mais incisivo. Alinhavam-se ao sistema dominante cujo triunfo lhes interessava. E eram respeitados por temor. Viam na imprensa uma aplicação de capitais cujos juros lhes eram pagos em favores econômicos e autoridade. Quando unida às oposições, tinha consciência de que elas eram aferradas em tomar para si os anseios e necessidades sociais, sem que o cidadão comum lhes desse crédito.

 

No estilo escrutínio da escola realista, palavras do livro se articulam para escancarar hipocrisias, falsidades. Alegando que os franceses tinham inclinação por tudo que é tedioso, caçoava duma categoria de redatores a chamá-los de “nadólogos”. Eram notários que falavam, falavam e nada diziam. Alcoviteiros da política, negociantes de frases, mostravam-se superiores, promoviam gracejos para admiração de colunistas severos. Mas estes se calavam ao ingressarem no serviço público. Lá se domesticavam a gozarem do silêncio de colegas na espera de convites e cargos.

 

Irritado com os críticos de arte a não lhe darem sossego, Balzac apontou-lhes o dedo. Pintou-os como vaidosos, incultos, falaciosos que, sem talento para a arte, erguiam muralhas de censura das ideias. Para o autor, a crítica tinha apenas uma serventia: a sobrevivência dos críticos.

 

Ficção e agudo exame da sociedade se mesclaram na obstinada defesa do bom jornalismo. Escreveu: “Se a imprensa não existisse, seria preciso inventá-la”. São mensagens que instigam raciocínios, convidam à reflexão. Mormente dos que buscam notícias isentas, o jornalismo amigo dos fatos.

 

(Romildo Sant’Anna. Diário da Região, 05.02.2023. Adaptado)

 

A alternativa em que o pronome destacado deve estar necessariamente na posição em que foi colocado é:

  1. As ambições particulares se sobrepunham às carências coletivas...
  2. Irritado com os críticos de arte a não lhe darem sossego...
  3. ... Balzac apontou-lhes o dedo.
  4. Ficção e agudo exame da sociedade mesclaram-se na obstinada defesa do bom jornalismo.
  5. ... palavras do livro se articulam para escancarar hipocrisias, falsidades.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

B

Comentário do professor

Na oração "Irritado com os críticos de arte a não lhe darem sossego", o pronome lhe é pronome oblíquo átono e sua colocação é obrigatoriamente em próclise (antes do verbo).

Isso ocorre porque a palavra não — elemento de negação — atrai o pronome para a sua imediata proximidade, determinando a próclise por regra normativa. Assim, não lhe darem é a única forma que respeita a atração do elemento negativo.

Além disso, a sequência envolve infinitivo introduzido por a, mas essa circunstância não anula a atração do negativo sobre pronomes como lhe. Logo, colocar o pronome depois do verbo violaria a regra da próclise exigida pela negação e tornaria a construção gramaticalmente incorreta.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo