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Questão FC409280

Leia o texto para responder à questão. Tudo se perde – e nos transforma. Há de existir em cada aresta deste planeta um buraco negro de meias desquitadas, elásticos de cabelo exilad

Colocação Pronominal

VUNESP · 2023

Leia o texto para responder à questão.

Tudo se perde – e nos transforma.

 

Há de existir em cada aresta deste planeta um buraco negro de meias desquitadas, elásticos de cabelo exilados e chaves de casa fugitivas. Uma espécie de país das maravilhas, um mundo invertido acessível apenas ao santo dos três pulinhos — não importa o quanto você revire o sofáa, olhe embaixo da cama ou verifique a geladeira (afinal, por que não?). O mistério universal dos objetos perdidos é tema central de dois livros infantojuvenis recém-chegados às livrarias brasileiras. Em Doutor Sumiço (Companhia das Letrinhas), o cartunista paulista Caco Galhardo dá vida a Lico, um garoto que tem o superpoder de fazer as coisas desapareceremb, mas acaba fazendo mau uso desse dom. Já em A costura (Pequena Zahar), a escritora e ilustradora argentina Isol nos conduz pela busca da menina Lila por itens perdidos, que ela crê terem caído em buracos pelo mundo, fissuras que decide procurar e costurar.

 

Em comum às duas histórias há o destaque à figura da avó, não só como porto seguro para os netos, mas também como detentora e guardiã de saberes ancestrais. “No livro, a avó traz o afeto, o amor e a compreensãoc, sem contar os bolinhos de queijo. E é na casa dela que estão todas as lendas dos nossos antepassados que vão ficando pelo caminho”, conta Galhardo.

 

Embora pouco afeitos a moralidades, os autores deixam esfumaçadas algumas lições valiosasd. Por trás da sucessão de perdas que vivenciamos, há uma bonita lição a ser aprendida sobre acolher a impermanência, a efemeridade, o fluxo incessante de chegadas e partidas que dão cadência à vida. As coisas que são deixadas para trás sem que se saiba onde também nos convidam a aceitar o inexplicável como parte intrínseca da jornadae. Afinal, mistério sempre há de pintar por aí.

 

(Marília Kodic. Revista Quatro Cinco Um. 30 de maio de 2023. Adaptado)

 

Assinale a alternativa em que, em conformidade com a norma-padrão de emprego dos pronomes, a expressão entre parênteses substitui aquela em destaque.

  1. ... não importa o quanto você revire o sofá... (revire-no)
  2. Um garoto que tem o superpoder de fazer as coisas desaparecerem... (fazê-las desaparecerem)
  3. ... a avó traz o afeto, o amor e a compreensão... (traz-lhes)
  4. ... os autores deixam esfumaçadas algumas lições valiosas... (deixam-as esfumaçadas)
  5. ... nos convidam a aceitar o inexplicável como parte intrínseca da jornada... (a lhe aceitar)
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Gabarito

B

Comentário do professor

Correto. A expressão "fazer as coisas desaparecerem" se torna "fazê-las desaparecerem".

Isso porque "as coisas" é substituída pelo pronome pessoal átono as, que representa o termo a ser retomado.

Ao unir-se ao verbo no infinitivo fazer, o pronome exige a supressão da consoante final do verbo (r) e sua ligação por hífen, formando fazê-las.

O pronome mantém gênero e número (feminino plural → -las), daí a forma final: fazê-las desaparecerem.

Assim, a junção pronominal e a alteração gráfica obedecem à norma-padrão, justificando a alternativa.

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