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Questão FC409282

Leia o texto para responder a questão. Empreendedores culturais são o futuro que não demora Há algo de bonito e triste que sempre me chama atenção na letra de Fórmula Mágica da Paz

Colocação Pronominal

VUNESP · 2023

Leia o texto para responder a questão.

 

Empreendedores culturais são o futuro que não demora

 

Há algo de bonito e triste que sempre me chama atenção na letra de Fórmula Mágica da Paz, dos Racionais MC’s. Na letra, dizem que o espaço onde viviam nos anos 90 era como um campo minado, cheio de problemáticas estruturais. Mesmo assim, eles não desistiram de encontrar uma saída, uma solução. De lá para cá, passaram-se quase 30 anos e ainda identificamos pontos em comum com aquela realidade.

 

O país, que foi marcado pela colonização e conflitos diversos, é palco de características únicas que atravessam e reverberam até os dias de hoje tanto nas vivências como na expressão artística da população preta e pobre. Em 2019, enquanto prestava mentorias com OPreta para empreendedoras negras e indígenas a convite da Feira Preta, aprendi a usar uma expressão que define bem essa gana por sobrevivência, esse jeitinho brasileiro de não desistir nunca: a sevirologia, arte de se virar e achar uma solução para tudo.

 

O empreendedor cultural, assim como o empreendedor social, não busca somente resultados financeiros, mas também resultados com missão social-cultural. Esse empreendedor observa oportunidades, ou seja, onde o Estado atua de maneira desigual e insuficiente, lá está esse empreendedor investindo recursos financeiros ou não para realização de atividades que fomentem o bem-viver, a educação e formação de cidadãos.

 

De acordo com pesquisa da Unesco, antes da pandemia, segmentos culturais e criativos tinham previsão de gerar R$ 43,7 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) até 2021. Entretanto, conforme indicaram os resultados da Pesquisa da FGV, os setores de economia criativa, com atividades do setor cultural, estão entre os mais prejudicados pela recente crise sanitária.

 

Felizmente, não é difícil afirmar que há uma crescente positiva em relação às expressões artísticas empreendedoras e autônomas, em diferentes formatos, não só musicais. Vemos celulares simples como trampolins para pessoas saírem do anonimato e protagonizarem suas narrativas cotidianas, a exemplo disso destaco a Fernanda Souza (@correrua) e Jef Delgado (@jefdelgado), diretores criativos e fotógrafos que alcançaram grandes marcas e símbolos relevantes para a cultura nacional e internacional.

 

É possível que a associação não seja automática, mas acredito que pertencemos a uma geração que responde ao tempo. Refletimos o passado e desfrutamos, no presente, de direitos conquistados. Peço licença aos meus mais velhos para citar a ideologia de Sankofa, ao retornar ao passado ressignificamos o presente e construímos o futuro. E em minha opinião, no futuro, empreendedores culturais serão inevitáveis e contundentes para a sustentação da economia do país, talvez do mundo.

 

(Leila Evelyn dos Santos, “Empreendedores culturais são o futuro que não demora”. Folha de S.Paulo, 28.07.2023. Adaptado)

 

O período do 1º parágrafo – De lá para cá, passaram-se quase 30 anos e ainda identificamos pontos em comum com aquela realidade. – está reescrito em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal e de colocação pronominal em:

  1. 30 anos são passados, de lá para cá, e ainda identifica- se pontos em comum com aquela realidade.
  2. Se passaram 30 anos, de lá para cá, e ainda se identifica pontos em comum com aquela realidade.
  3. De lá para cá, já foi 30 anos, e ainda identificam-se pontos em comum com aquela realidade.
  4. Passaram-se 30 anos, de lá para cá, e ainda se identificam pontos em comum com aquela realidade.
  5. Identifica-se ainda pontos em comum com aquela realidade, e se foram 30 anos, de lá para cá.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A frase correta é: Passaram-se 30 anos, de lá para cá, e ainda se identificam pontos em comum com aquela realidade.

Quanto à colocação pronominal: em Passaram-se 30 anos o verbo inicia a oração, portanto a ênclise é obrigatória (o pronome vem após o verbo). Em ainda se identificam pontos, o advérbio ainda é palavra atrativa, exigindo próclise (o pronome vem antes do verbo).

Quanto à concordância: o se funciona como partícula apassivadora, tornando a oração voz passiva sintética. O verbo concorda com o sujeito paciente: "30 anos" (plural) pede passaram-se; "pontos" (plural) pede identificam. Ex.: "30 anos são passados" e "Pontos ainda são identificados".

Portanto, a alternativa D respeita tanto a colocação pronominal quanto a concordância verbal.

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