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Questão FC409303

Cerca de 1 300 anos atrás, uma mulher pegou um livro precioso e rabiscou letras e desenhos nas margens. Ela não usou tinta, apenas arranhou o papel, e os rabiscos ficaram quase inv

Colocação Pronominal

VUNESP · 2023

Cerca de 1 300 anos atrás, uma mulher pegou um livro precioso e rabiscou letras e desenhos nas margens. Ela não usou tinta, apenas arranhou o papel, e os rabiscos ficaram quase invisíveis a olho nu. Ninguém sabia que eles estavam ali, até o ano passado.

 

O livro é uma cópia dos Atos dos Apóstolos, parte do Novo Testamento, datada do século 8o. Os pesquisadores sabiam há algum tempo que o texto religioso provavelmente seria de propriedade de uma mulher, mas não tinham certeza de quem se tratava.

 

Até que, em 2022, a pesquisadora Jessica Hodgkinson, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, decidiu dar uma olhada mais de perto e ficou surpresa ao descobrir um rabisco escondido na página 18, exatamente abaixo do texto em latim.

 

A última palavra do rabisco está incompleta, e análises posteriores revelaram que deliberadamente se arranhou o livro com algum objeto em mais quatro páginas.

 

Hodgkinson interpretou o primeiro símbolo como uma cruz, seguida por “Eadburg” – quase com certeza, o nome da dona do livro. Não se sabe muito sobre ela, mas Hodgkinson e sua equipe suspeitam que Eadburg fosse uma freira em uma vila no condado de Kent, na Inglaterra.

 

A pesquisadora pôde encontrar as gravuras de Eadburg graças a uma nova tecnologia de formação de imagens da Biblioteca Bodleiana, que consegue mapear a textura física e os contornos das páginas dos livros e manuscritos ou da superfície de outros objetos históricos, como placas de impressão.

 

Os pesquisadores do projeto utilizam dois aparelhos para criar representações digitais de páginas e objetos. Um deles se chama “Selene” e tem quatro câmeras capazes de capturar diferenças de relevo das superfícies de até 25 micrômetros (correspondente em milímetros a 0,025).

 

Por que as pessoas arranhavam seus nomes em livros? Pode ter sido simplesmente para mostrar quem era o dono da obra, sem rabiscar um precioso texto religioso. “Estes manuscritos eram considerados sagrados. Mesmo que quisesse deixar sua marca neles, o dono do material se policiaria para não danificá-lo”, explica John Barrett, funcionário da Biblioteca.

 

(Richard Fisher. Os rabiscos misteriosos encontrados em livro de 1.300 anos. www.bbc.com, 30.03.2023. Adaptado)

 

Assinale a alternativa em que o trecho do texto reescrito entre colchetes preserva a norma-padrão de colocação pronominal.

  1. … seria de propriedade de uma mulher, mas não tinham certeza de quem se tratava. –  [… seria de propriedade de uma mulher, mas não tinham certeza de quem tratava-se.]
  2. … revelaram que deliberadamente se arranhou o livro com algum objeto em mais quatro páginas. – [… revelaram que deliberadamente arranhou-se o livro com algum objeto em mais quatro páginas.]
  3. Não se sabe muito sobre ela, mas Hodgkinson e sua equipe suspeitam que Eadburg fosse uma freira… – [Não sabe-se muito sobre ela, mas Hodgkinson e sua equipe suspeitam que Eadburg fosse uma freira…]
  4. Um deles se chama “Selene” e tem quatro câmeras capazes de capturar diferenças de relevo… – [Um deles chama-se “Selene” e tem quatro câmeras capazes de capturar diferenças de relevo das superfícies de até 25 micrômetros…]
  5. Mesmo que quisesse deixar sua marca neles, o dono do material se policiaria para não danificá-lo”… – [Mesmo que quisesse deixar sua marca neles, o dono do material policiaria-se para não danificá-lo”…]
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Gabarito

D

Comentário do professor

Alternativa D: a forma Um deles chama-se “Selene”... é aceitável porque aqui o pronome oblíquo átono se pode aparecer tanto antes quanto depois do verbo.

Segundo a regra de colocação pronominal, a próclise é obrigatória quando há elementos que atraem o pronome (negativos, advérbios, conjunções subordinativas, pronomes interrogativos/relativos/indefinidos etc.). Nenhum desses elementos ocorre em "Um deles chama‑se…", portanto a ênclise (chama‑se) é plenamente permitida.

A mesóclise não se aplica porque o verbo está no presente; a mesóclise só aparece em tempos futuros do indicativo/futuro do pretérito. Assim, tanto "Um deles se chama…" quanto "Um deles chama‑se…" são normativamente corretas, sendo a opção por chama‑se uma escolha estilística perfeitamente adequada.

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