Questão FC409309
Leia o texto para responder à questão. Somos todos loucos brincando com fogo Os alertas deixam cicatrizesa visíveis, mas fazemos de conta que não vemos ou não sentimos as consequên
Colocação Pronominal
VUNESP · 2023
Leia o texto para responder à questão.
Somos todos loucos brincando com fogo
Os alertas deixam cicatrizesa visíveis, mas fazemos de conta que não vemos ou não sentimos as consequênciasb e que, por isso, não existem. Tempos atrás, chuvas brutais despencaram sobre o litoral paulista, com inumeráveis perdas. Agora, no extremo sul do país, as constantes chuvas destruíram lavouras e casasc, deixando milhares de habitantes desabrigados e também matando. Na Amazônia, região de rios onde chovia quase todos os dias, a longa estiagem de agora chega a impedir até a navegação, que é a forma habitual de a população viajar.
Se sairmos da realidade brasileira, tudo é ainda mais penoso. Na gélida Sibéria, houve longos dias de calor em pleno inverno do passado ano de 2022. Mais recentemente, na distante Líbia, a chuva intensa destruiu cidades inteiras e matou milhares de habitantesd. Tudo isso nos faz exclamar: “O tempo está ficando louco”.
Em verdade, porém, os loucos somos todos nós, que nos negamos a aprender com a natureza, sem perceber o perigo das mudanças climáticas, causa profunda deste pandemônio de agora. Tudo isso é culpa do nosso descuido ou, mais até, da nossa cegueira em torno da preservação do meio ambiente.
A causa dessa cegueira talvez tenha raízes na tardia incorporação ao cotidiano do conceito de meio ambiente e da percepção das mudanças climáticas. Essas mudanças passaram a ser notadas com o surgimento da revolução industrial, que mudou o cotidiano da população em todo o mundo e tornou mais confortável o estilo de vida. Nos descuidamos, porém, quanto às consequências dessa revolução, sem tomar alguma medida para mitigar seus efeitos negativos.
Na cidade de São Paulo, o bairro de Pinheiros tem esse nome porque tinha muitas araucárias, e a incessante derrubada levou à construção de moradias. Os bosques são um dos principais reguladores dos ciclos das chuvas.
Há ainda a contaminação da água consumida principalmente nas grandes cidades e que é uma das principais causas do atual surto de hepatite A no país e no mundo. Na Amazônia, boa parte dos rios está contaminada com o mercúrio lá jogado para facilitar a garimpagem ilegal.
Podemos afirmar que nossa cegueira nos leva a brincar com fogo, num suicídio lento, mas evitável, se mudarmos o estilo de vidae e nosso comportamento diante da natureza.
(Flávio Tavares, O Estado de S.Paulo, 6 de outubro de 2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho destacado na frase está substituído, corretamente, nos parênteses, observando-se a norma-padrão de emprego e colocação pronominal.
- Os alertas deixam cicatrizes… – (deixam-as)
- … mas fazemos de conta que não vemos ou não sentimos as consequências… – (sentimo-las)
- … as constantes chuvas destruíram lavouras e casas…– (destruíram-nas)
- … a chuva intensa destruiu cidades inteiras e matou milhares de habitantes…– (matou-lhes)
- … se mudarmos o estilo de vida… – (mudarmos-lo)
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Pronome oblíquo: o sintagma "lavouras e casas" é o objeto direto da oração; seu substituto pronominal átono é as (feminino plural).
Colocação: o verbo aparece após o sujeito ("as constantes chuvas"), em contexto neutro, sem elementos atrativos de próclise (advérbios, negativas, conjunções etc.). Nessa situação a norma-padrão recomenda a ênclise (pronome após o verbo).
Grafia: quando o verbo termina em m (como em "destruíram"), acrescenta‑se a consoante n ao pronome enclítico para manter a eufonia e a ligação, formando a partícula "‑nas".
Assim, a forma correta para substituir "destruíram lavouras e casas" é (destruíram‑nas), que respeita a função sintática e a colocação pronominal da norma culta.
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