Questão FC409319
A criança está com raiva? Respire fundo Todos os que já tiveram a oportunidade ou a responsabilidade de conviver com crianças sabem que as emoções que elas experimentam são bastant
Colocação Pronominal
VUNESP · 2023
A criança está com raiva? Respire fundo
Todos os que já tiveram a oportunidade ou a responsabilidade de conviver com crianças sabem que as emoções que elas experimentam são bastante intensas. Quem já não testemunhou uma criança com raiva? É sempre bom lembrar que o motivo para desencadear a raiva pode ser,(a) na visão do adulto, banal. Mas para a criança, nunca é.
Não faz muito tempo que o trabalho com as emoções das crianças tem sido considerado parte importante da formação delas, tanto para a família quanto para a escola. Expressões como “inteligência emocional” e “habilidades socioemocionais” já soam familiares a pais e educadores profissionais(b) e até são consideradas prioridade nos tempos atuais.
O que acontece no momento em que a criança apresenta uma crise de birra, por exemplo? As emoções tomam conta dela a tal ponto que se descontrola globalmente. O que era emoção vai ao ato e se transforma em comportamento raivoso.
Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive. Aí está: as emoções não precisam, necessariamente, se transformar em atos. Mas para que isso possa acontecer é preciso um aprendizado.
Uma criança bem pequena sente raiva do irmão que acabou de nascer e rouba o tempo da mãe,(c) que antes era só dela; a reação foi a de tentar bater no bebê. A mãe, atenta, interveio antes que o ato ocorresse e disse à filha:(d) “Você está com ciúme e raiva de seu irmão, mas não pode bater nele.
Quando isso acontecer novamente, bate nesta almofada”.
Genial a reação dessa mãe, por dois motivos: primeiro, traduziu em palavras as emoções que a filha, de 2 anos, estava experimentando, o que colabora para o autoconhecimento; segundo, porque intuiu que nessa idade ainda é difícil conter uma reação comportamental,(e) ou seja, controlar-se, por isso ela trocou o objeto para diminuir o risco de a filha tentar bater no bebê. Para ela, funcionou.
Em qualquer ação educativa, é preciso respeitar a criança e/ou o adolescente e agir de modo digno, justo e amoroso com os mais novos.
(Rosely Sayão. O Estado de S.Paulo, 30 de abril de 2023. Adaptado)
A expressão em destaque está substituída corretamente, nos parênteses, na alternativa:
- … o motivo para desencadear a raiva pode ser… (desencadear-la).
- … já soam familiares a pais e educadores profissionais… (soam-nos familiares).
- … irmão que acabou de nascer e rouba o tempo da mãe… (rouba-lhe).
- … interveio antes que o ato ocorresse e disse à filha… (disse-lhe).
- … ainda é difícil conter uma reação comportamental… (conter-lhe).
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Gabarito
D
Comentário do professor
… interveio antes que o ato ocorresse e disse à filha …
Nessa oração, "à filha" funciona como objeto indireto (pergunta-se “a quem?”). O pronome oblíquo que substitui objeto indireto de 3.ª pessoa é lhe.
Portanto, a substituição correta é disse‑lhe, preservando o sentido: “disse (algo) a ela”.
Observação sobre posição: após a conjunção e sem palavra de atração para próclise, a forma adequada é a enclítica disse‑lhe, escrita com hífen quando o pronome se liga ao verbo.
Note que lhe é invariável quanto ao gênero; basta indicar a pessoa destinatária (a quem).
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