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Questão FC409341

– Nunca foi convidado. Lê a notícia dos coquetéis nos jornais. E numa noite de autógrafos ou vernissage*, quem vai barrar a entrada de prováveis compradores?

Colocação Pronominal

VUNESP · 2022

O rei da boca-livre

 

– Preste atenção naquele homem.

 

Tinha pouco mais de 50 anos, altura mediana, atitudes discretas e trajes bem passadinhos. Tipo de pessoa que, mesmo com um guarda-roupa reduzido, não faz feio em reuniões sociais. O referido comia delicadamente um bolinho.

 

Na direita segurava um copo de uísque.

 

– Quem é a figura?

 

– O maior frequentador de coquetéis da cidade. Já investiguei. Ninguém sabe o nome.

 

– Ora, quem manda os convites deve saber.

 

– Nunca foi convidado. Lê a notícia dos coquetéis nos jornais. E numa noite de autógrafos ou vernissage*, quem vai barrar a entrada de prováveis compradores?

 

Estávamos na Livraria Teixeira. O homem de identidade misteriosa armazenara outro uísque numa estante. Colocado num lugar em que o garçom teria obrigatoriamente de passar, abastecia-se também de salgadinhos. Não bebia nem comia afobadamente, portando-se como um verdadeiro cavalheiro.

 

Não comprou o livro de lançamento, mas o vi cumprimentar o autor à distância revelando infinita admiração.

 

Semanas depois vou a uma exposição de pinturas e quem estava lá, observando as obras de arte? Ele, claro. O interesse artístico não o impedia de beber uísque e comer deliciosos pasteizinhos.

 

Desta vez, a bela festinha era em minha homenagem.

 

Uma entidade cismara de premiar-me pela publicação de um romance. Recebi um objeto pequeno como troféu e um cheque ainda menor. Em compensação, quiseram que eu, diante do fotógrafo, erguesse vitorioso uma taça de champagne.

 

Pose exibicionista demais. Preferível brindando simplesmente com alguém. Qualquer um. Vamos lá? Vamos.

 

Tintim. Choque espumante de duas taças. O primeiro tim foi meu. O segundo, olhei atônito. Foi dele, sim dele, o rei da boca-livre! Com um sorriso e uma taça, aproximara-se:

 

– Não comprei seu livro porque, imagine, recebi dois de presente.

 

(Marcos Rey. O coração roubado. Global. Adaptado)

 

* vernissage: inauguração de uma exposição de arte

 

Atendendo à norma-padrão de emprego e colocação dos pronomes, assinale a alternativa em que o trecho destacado na frase está corretamente substituído pelo trecho indicado entre parênteses.

  1. O nome dele, ninguém sabe o nome. (sabe-o)
  2. Os convites, ora, quem manda os convites deve saber. (os manda)
  3. Notícias de coquetéis, é nos jornais que ele habitualmente procura essas notícias. (procura-as)
  4. Quanto ao uísque, o homem de identidade misteriosa armazena outro na estante. (lhe armazena)
  5. Visitei uma exposição de pinturas, e quem estava lá observando as pinturas? (observando-lhes)
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Gabarito

B

Comentário do professor

A substituição indicada — os manda — é correta porque respeita a **colocação pronominal** exigida pelo contexto.

Na oração, o elemento interrogativo/relativo **quem** atua como fator de atração (impondo **próclise**). Isso obriga o pronome oblíquo átono que retoma "os convites" a aparecer antes do verbo: "quem os manda".

Assim, a transformação preserva a função sintática do pronome (objeto direto) e a naturalidade normativa: "Os convites, ora, quem os manda deve saber."

Colocar o pronome após o verbo (por exemplo, "*manda-os*") violaria a atração exercida por **quem** e soaria gramaticalmente inadequado no segmento apresentado.

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