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Questão FC409365

Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder a questão. Os emergentes Enquanto boa parte da população brasileira afunda em dívidas, no desespero ou em ambos, uma nova classe surg

Colocação Pronominal

VUNESP · 2022

Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder a questão.

 

Os emergentes

 

Enquanto boa parte da população brasileira afunda em dívidas, no desespero ou em ambos, uma nova classe surge, triunfante: a dos emergentes. São as pessoas que estão na crista da onda, na mídia, nos negócios, na vida social, na política. Pessoas que fazem render aqueles 15 minutos de fama a que, segundo Andy Warhol, todos terão direito um dia.

 

Os emergentes não são necessariamente simpáticos, ou inteligentes ou mesmo agradáveis. E isso porque emergir é uma tarefa árdua. Não é uma misteriosa corrente submarina que traz o emergente à tona; não, é o esforço, é o trabalho dos cotovelos – é preciso conquistar espaço à força entre os muitos que lutam por um lugar ao sol do sucesso. Quando se fala em emergentes, muitos são atraídos pelas luzes da celebridade – poucos são os bem-sucedidos.

 

Emergir é uma glória. O emergente está sempre feliz; feliz, não, eufórico. Ri à toa, é só haver uma lente fotográfica por perto e pronto, um sorriso invade sua face, e lá estão os dentes, às vezes com próteses precárias, recordações da época pré-emergência.

 

Emergente, no Brasil, ganha muito dinheiro. É a nova riqueza que surge e que, diferente da riqueza tradicional, não está ligada à terra ou a empresas. Não, ele enriquece pela simples razão de que ele é emergente: uma piadinha sem graça na tevê, e ganha mais do que um operário num ano de trabalho.

 

Agora, o emergente paga um preço pela fama e pela fortuna. Ele tem um secreto terror que, às vezes, o faz acordar no meio da noite gritando. O emergente teme submergir. Teme voltar para o fundo escuro e lodoso de onde saiu, povoado por estranhos monstros que, desprovidos de olhos, não podem ver o emergente e muito menos aplaudi-lo.

 

Enquanto isso não acontece, desde que ele esteja na capa de uma revista qualquer, tudo bem, tudo ótimo. Emergir ou não emergir, eis a questão.

 

(Coleção melhores crônicas: Moacyr Scliar. Org. Luís Augusto Fischer. Global, 2004. Adaptado)

 

Em conformidade com a norma-padrão de emprego e de colocação dos pronomes, está correta a substituição do trecho em destaque indicada entre parênteses em:

  1. Os emergentes têm recordações negativas da fase pré-emergência que incomodam esses indivíduos. (lhes incomodam)
  2. O ambicionado lugar ao sol do sucesso, muitos querem desesperadamente alcançar esse lugar. (o alcançar)
  3. A fama e a fortuna dos emergentes, eles têm obtido essa fama e fortuna pelo valor dado à futilidade. (têm obtido-as)
  4. A nova riqueza difere da tradicional e o que caracteriza essa riqueza é não vir da terra ou de empresas. (caracteriza-a)
  5. Ser celebridade tem seu preço, e os emergentes estão dispostos a pagar esse preço. (pagar-lhe)
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa B está correta porque respeita a regência verbal e a colocação pronominal exigidas pela norma-padrão. A forma sugerida pode ser apresentada assim: muitos querem desesperadamente o alcançar.

O verbo alcançar é transitivo direto, logo seu complemento adequado, quando pronominalizado, é o pronome oblíquo átono o (correspondente a "esse lugar").

Quanto à posição, o advérbio desesperadamente atrai o pronome para antes do verbo (próclise). Por isso a sequência normativa é desesperadamente o alcançar, em vez de deixar o pronome isolado após o verbo.

Em suma, a alternativa B acerta tanto na escolha do pronome quanto na sua colocação, obedecendo à regência do verbo e à atração por advérbio.

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