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Questão FC409370

Máscara no chão A oscilação do arco narrativo russo acerca de sua campanha militar contra a Ucrânia segue fielmente o desempenho de suas tropas, no solo do vizinho desde 24 de feve

Colocação Pronominal

VUNESP · 2022

Máscara no chão

 

A oscilação do arco narrativo russo acerca de sua campanha militar contra a Ucrânia segue fielmente o desempenho de suas tropas, no solo do vizinho desde 24 de fevereiro.

 

Assim que os primeiros mísseis caíram, Vladimir Putin declarou o objetivo de desmilitarizar o rival, além de evitar sua entrada em estruturas ocidentais como a Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, e garantir a autonomia dos separatistas russófonos no leste ucraniano.

Pode-se argumentar que a Ucrânia esteja se militarizando mais rapidamente, apesar de a enxurrada de armas ocidentais parecer distante de deter os russos. O sucesso de Putin é maior, contudo, na inviabilização do Estado ucraniano.

 

A União Europeia pode até prometer uma vaga a Kiev, mas isso é ilusão: mesmo sem o conflito o país não reunia condições para ser aceito no bloco. Quanto a chegar à Otan, o caminho é ainda mais bloqueado por temores de ampliação da guerra.

 

Putin optou pelo cinismo. Agiu para derrubar o governo de Volodimir Zelenski numa tacada única, mas, ao fracassar militarmente por soberba tática, negou buscar isso. Descartou querer ganhos territoriais, apesar de ter anexado a Crimeia em 2014 e fomentado a guerra civil no Donbass, que incubou a tragédia ora em curso.

 

Agora, a máscara caiu. Em duas falas, o chanceler russo entregou o jogo. Segundo Serguei Lavrov, um dos decanos da diplomacia mundial, a Rússia não se contentará com o Donbass. Quer o sul ucraniano, a saber se o território que já ocupa ou toda a costa até o enclave que mantém na Moldova, e tem por meta livrar os ucranianos do “fardo desse regime absolutamente inaceitável”. Ou seja, destruir a soberania do país.

 

No campo de batalha, ganhos lentos, mas firmes, sugerem a consolidação da posição militar russa, mais sóbria agora. Reveses poderão fazer Putin buscar remendar as fantasias rasgadas, o que será inócuo tanto para adversários céticos como para aliados que já não se importam com o estado delas.

 

(Editorial. Folha de S.Paulo. São Paulo, 26 jul. 2022. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/07/ mascara-no-chao.shtml>. Adaptado)

 

Assinale a alternativa em que a frase escrita a partir do texto está em conformidade com a norma-padrão de colocação pronominal.

  1. Já não acredita-se mais no discurso sobre as razões para o conflito militar.
  2. A OTAN ainda se diz comprometida com a adesão da Ucrânia à organização.
  3. Se tornou ainda mais improvável a aceitação da Ucrânia pelo bloco europeu.
  4. O conflito tem mostrado-se muito mais letal do que inicialmente previsto.
  5. Jamais acreditou-se de fato na alegação russa para o início do conflito armado.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A colocação pronominal trata da posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. O pronome se é átono e, na norma-padrão, sua posição obedece a regras que regulam próclise, ênclise e mesóclise.

Em "A OTAN ainda se diz comprometida...", o elemento advérbio ainda antecede o verbo e, por isso, atrai o pronome para a posição anterior ao verbo — fenômeno chamado de próclise. Além disso, o se aqui atua como partícula que assinala voz média/impessoal, compatível com a próclise exigida pelo advérbio.

Assim, a construção está em conformidade com a norma-padrão: o pronome aparece antes do verbo por conta do advérbio pré-verbal, tornando a alternativa correta.

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