Questão FC409376
Leia o texto para responder a questão. A primeira vez que vi o mar eu não estava sozinho. Estava com um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós
Colocação Pronominal
VUNESP · 2022
Leia o texto para responder a questão.
A primeira vez que vi o mar eu não estava sozinho. Estava com um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.
Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar...
Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer − como aquela ciânea de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou a sua mão... Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré descobre tudo e a praia é imensa, ia à praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente alguém que passava pelo areal branco e dava boa-noite... Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.
(Rubem Braga. https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11546/visao-do-mar. 10.10.2022. Adaptado)
Considere os seguintes trechos:
• ...como aquela ciânea de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou a sua mão... (3º parágrafo)
• ...e conversava com os pescadores que consertavam as redes. (3º parágrafo)
Assinale a alternativa em que os fragmentos em destaque foram reescritos de acordo com a norma-padrão de colocação pronominal.
- a queimou – consertavam-nas.
- queimou-a – as consertavam.
- a queimou – as consertavam.
- queimou-a – consertavam-nas.
- a queimou – consertavam-as.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B está correta porque respeita a posição do pronome oblíquo segundo a norma-padrão.
No trecho “...queimou a sua mão”, o verbo queimar é transitivo direto; o pronome substituto deve ser objeto direto: a. Além disso, há pausa/ponteuação antes do verbo (“afinal, queimou...”), o que favorece a ênclise (colocação pós-verbal). Forma adequada: queimou-a.
No trecho “...pescadores que consertavam as redes”, a oração é iniciada por que (pronome relativo), que funciona como termo atrativo e exige próclise (pronome antes do verbo). Assim, o clítico deve vir antes de consertavam: as consertavam (referindo-se a “as redes”).
Portanto, queimou-a – as consertavam obedece à norma-padrão de colocação pronominal.
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