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Questão FC409384

Foram feitas simulações de computador. E a máquina deu o seu veredicto: era possível ter evitado as águas do rio e pousar em LaGuardia ou Teterboro. O próprio Sully começou a duvid

Colocação Pronominal

VUNESP · 2021

Leia o texto para responder a questão.

 

Lições de vida

 

Em 2009, um avião pousou de emergência no rio Hudson. O piloto era Sully Sullenberger e as 155 pessoas a bordo foram salvas por uma manobra impossível, perigosa, milagrosa. Sully virou herói e a lenda estava criada.

 

Em 2016, no filme “Sully, o herói do rio Hudson”, Clint Eastwood revisitou a lenda para contar o que aconteceu depois do milagre: uma séria investigação às competências do capitão Sully Sullenberger. Ele salvara 155 pessoas, ninguém contestava. Mas foi mesmo necessário pousar no Hudson? Ou o gesto revelou uma imprudência criminosa, sobretudo quando existiam opções mais sensatas?

 

Foram feitas simulações de computador. E a máquina deu o seu veredicto: era possível ter evitado as águas do rio e pousar em LaGuardia ou Teterboro. O próprio Sully começou a duvidar das suas competências. Todos falhamos. Será que ele falhou?

 

Por causa desse filme, reli um dos ensaios de Michael Oakeshott, cujo título é “Rationalism in Politics”. Argumenta o autor que, a partir do Renascimento, o “racionalismo” tornou- -se a mais influente moda intelectual da Europa. Por “racionalismo”, entenda-se: uma crença na razão dos homens como guia único, supremo, da conduta humana.

 

Para o racionalista, o conhecimento que importa não vem da tradição, da experiência, da vida vivida. O conhecimento é sempre um conhecimento técnico, ou de uma técnica, que pode ser resumido ou aprendido em livros ou doutrinas.

 

Oakeshott argumentava que o conhecimento humano depende sempre de um conhecimento técnico e prático, mesmo que os ensinamentos da prática não possam ser apresentados com rigor cartesiano.

 

Clint Eastwood revisita a mesma dicotomia de Oakeshott para contar a história de Sullenberger. O avião perde os seus motores na colisão com aves; o copiloto, sintomaticamente, procura a resposta no manual de instruções; mas é Sully quem, conhecendo o manual, entende que ele não basta para salvar o dia.

 

E, se os computadores dizem que ele está errado, ele sabe que não está – uma sabedoria que não se encontra em nenhum livro já que a experiência humana não é uma equação matemática.

 

As máquinas são ideais para lidar com situações ideais. Infelizmente, o mundo comum é perpetuamente devassado por contingências, ambiguidades, angústias, mas também súbitas iluminações que só os seres humanos, e não as máquinas, são capazes de entender.

 

Quando li Oakeshott, encontrei um filósofo que, contra toda a arrogância da modernidade, mostrava como a nossa imperfeição pode ser, às vezes, uma forma de salvação. O ensaio era, paradoxalmente, uma lição de humildade e uma apologia da grandeza humana. Eastwood, aos 86 anos, traduziu essas imagens.

 

(João Pereira Coutinho. Folha de S.Paulo, 29.11.2016. Adaptado)

 

Atendendo ao emprego e à colocação dos pronomes determinados pela norma-padrão, a expressão destacada pode ser substituída pela expressão entre parênteses na alternativa:

  1. Para algumas pessoas, Sully deveria pousar o avião em LaGuardia ou Teterboro. (deveria pousá-lo)
  2. O filme de Eastwood motivou o jornalista a reler um ensaio filosófico que o marcou. (motivou-lhe)
  3. Oakeshott está entre os filósofos que estudaram tendências intelectuais do Renascimento. (estudaram- nas)
  4. O pouso do avião sobre o rio Hudson salvou 155 passageiros. (salvou-lhes)
  5. Para os investigadores, o gesto do piloto provavelmente configurava imprudência criminosa. (configurava-a)
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Gabarito

A

Comentário do professor

O termo "o avião" é objeto direto do verbo pousar; por isso, a substituição exige um pronome oblíquo átono de 3.ª pessoa (o → -o).

Quando esse pronome se liga a verbos no infinitivo terminados em -r, -s ou -z, forma-se -lo/-la (retira‑se a consoante final e junta‑se o pronome): assim, pousar + o → pousá‑lo. O acento gráfico em pousá‑lo mantém a tonicidade original do verbo.

Na frase com verbo auxiliar (deveria pousar o avião), o pronome encaixa‑se ao infinitivo: Para algumas pessoas, Sully deveria pousá‑lo. Essa forma segue a norma-padrão para colocação e para a transformação do pronome após verbos em -r.

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