Questão FC409385
Leia o texto, para responder a questão. É conceito da moda. Usam em encontros motivadores. Na Física, é a volta à forma original após uma deformação. O termo se origina da capacida
Colocação Pronominal
VUNESP · 2021
Leia o texto, para responder a questão.
É conceito da moda. Usam em encontros motivadores. Na Física, é a volta à forma original após uma deformação. O termo se origina da capacidade de ricochetear, de saltar novamente. Por extensão, usamos para falar de quem sofre pressão e consegue manter seus objetivos.
Uma pessoa resiliente ideal teria três camadas. Na primeira, suporta: recebe o golpe sem desabar. Ouve a crítica e não “desaba”, vive a frustração sem descontrole, experiencia a dor e continua de pé. A primeira etapa da resiliência é administrar o golpe, o revés, o erro, a decepção. O tipo ideal que estamos tratando sabe a extensão da dor, mas se considera (ou é de fato) mais forte do que as ondas das adversidades.
O segundo estágio é a recuperação/aprendizagem. Combinam-se os dois conceitos. Sinto o golpe, não desmonto (fase um) e ainda recupero a posição anterior ao golpe com o acréscimo de algo novo. Toda dor contém sua lição. Ninguém duvida disso. O resiliente consegue aprender com o golpe sentido.
O terceiro momento do modelo perfeito é a ressignificação da estratégia e da consciência a partir do aprendizado. O tipo aqui descrito nunca se vitimiza, mesmo se for a vítima. Não existe lamúria ou sofrimento para o mundo. A dor existe, foi sentida, houve reação com aprendizado e dele surgiu um novo ser, mais forte e mais sábio.
É bom descrever tipos perfeitos. Quase sempre são inexistentes. São como a biografia de santos medievais: sem falha, diamantes sem jaça; modelos e, como tal, inatingíveis. Existe um propósito didático de mostrar a perfeição para nós que chafurdamos no lodo da existência banal. Todos temos graus variados de resiliência diante da vida. Ninguém é o tipo ideal. Uma coisa não invalida a outra.
Como narrativa de santos, o modelo perfeito serve como para indicar o ponto no qual não me encontro, porém devo reagir para almejá-lo. Sempre é bom ser resiliente e todos os palestrantes e livros têm razão: sem resiliência em algum grau, épico ou homeopático, é impossível enfrentar o mundo.
O conto extraordinário de Kafka, Um Artista da Fome, fala de um homem com extrema resiliência para aguentar jejuns prolongados. Era um herói! Ao final, emitiu a verdade surpreendente. Ele não era um homem de vontade férrea, apenas nunca havia encontrado um prato que… o seduzisse realmente. Seu paladar nunca fora tentado. Creio ser a receita geral da resiliência: a serenidade diante das coisas que, na verdade, não nos atingiram. Esperança ajuda sempre.
(Leandro Karnal. Os heróis da resiliência. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br. Acesso em 20.01.2021. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o pronome destacado pode ser colocado antes ou depois do verbo, segundo a norma- padrão.
- Combinam-se os dois conceitos.
- …serve como para indicar o ponto no qual não me encontro.
- … nunca havia encontrado um prato que… o seduzisse realmente.
- O tipo aqui descrito nunca se vitimiza…
- … sabe a extensão da dor, mas se considera (ou é de fato) mais forte…
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na frase “…sabe a extensão da dor, mas se considera (ou é de fato) mais forte…”, o pronome se pode aparecer antes ou depois do verbo sem infringir a norma-padrão.
Isso ocorre porque não há nenhum elemento que obrigue a próclise (como negação, advérbio atrativo, pronome indefinido, conjunção subordinativa etc.) nem condição que imponha a ênclise (verbo inicial da frase, imperativo afirmativo, gerúndio sem preposição, infinitivo solto).
Assim, são aceitáveis ambas as formas: mas se considera (pronome antes) ou mas considera-se (pronome depois).
Observe que a mesóclise não se aplica aqui, pois só ocorre com futuros do indicativo.
Escolha entre as formas conforme preferência estilística e sonoridade; ambas estão corretas.
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