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Questão FC409391

Leia o texto para responder a questão. Perdendo o sono Nos últimos anos, caí numa rotina de dormir entre cinco e seis horas por noite. Achava que estava bem adaptado a esse regime,

Colocação Pronominal

VUNESP · 2021

Leia o texto para responder a questão.

 

Perdendo o sono

 

Nos últimos anos, caí numa rotina de dormir entre cinco e seis horas por noite. Achava que estava bem adaptado a esse regime, até ler “Por Que Nós Dormimos”, do neurocientista Matthew Walker (Universidade da Califórnia, Berkeley). Ele me deu um susto.

 

A tese principal de Walker é simples. Todos os animais até hoje estudados dormem. Até mamíferos aquáticos, que não conseguiriam respirar caso parassem de nadar, desenvolveram um modo de dormir com metade do cérebro de cada vez e assim manter-se em movimento. Daí dá para concluir que o sono tem um papel evolucionário bastante significativo.

 

Walker põe-se então a destrinchar as diferentes fases do sono e suas múltiplas funções. O sono REM (sigla inglesa para “movimento rápido dos olhos”, aquele em que sonhamos) é importante para trabalharmos nossas emoções negativas, aprimorarmos habilidades sociais e para a criatividade e solução de problemas. Já o sono NREM (mais profundo, sem sonhos) é crucial na consolidação das memórias e de habilidades motoras, sem mencionar a regulação de processos fisiológicos.

 

Walker é também um militante. Ele está convencido de que a modernidade nos lançou numa epidemia de falta de sono com consequências tão graves como obesidade ou tabagismo. Munido de um estoque quase inesgotável de estudos, ele liga o sono subótimo* a problemas cardíacos, câncer, diabetes, obesidade, demência e até aos mais inocentes resfriados. No plano psicológico, relaciona dormir pouco a piora do desempenho cognitivo, irritabilidade, cansaço e, por decorrência, a boa parte dos acidentes automobilísticos.

 

Para Walker, as pessoas que acham que podem dormir pouco estão tão enganadas que nem sequer conseguem perceber os prejuízos que já sofrem com o sono insuficiente. Segundo o autor, a quase totalidade dos seres humanos precisa dormir oito horas por dia – e, de preferência, fazer também uma “siesta”.

 

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 10.03.2019. Adaptado)

 

*subótimo: que não atinge a mais alta qualidade.

 

Considere as frases.

 

• Muitas pessoas querem saber mais a respeito das etapas pelas quais passamos enquanto dormimos, e, em seu livro, o neurocientista                       de forma detalhada para os leitores.

• O hábito de dormir poucas horas é apontado como uma das causas dos acidentes automobilísticos, portanto, os motoristas que                         deveriam repensar suas atitudes.

 

Considerando o emprego e a colocação de pronomes estabelecidos pela norma-padrão, as lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente, por:

  1. descreve-lhes; o têm
  2. descreve-lhes; lhe têm
  3. as descreve; têm-no
  4. descreve-as; têm-lhe
  5. descreve-as; o têm
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Na primeira lacuna, descreve-as é obrigatório porque o pronome as retoma "as etapas" (feminino plural) e funciona como objeto direto. Como não há palavra que exija próclise antes do verbo (apenas a locução adverbial "em seu livro"), a norma-padrão admite a ênclise: o pronome deve acompanhar o verbo — descreve-as.

Na segunda lacuna, o têm é correto porque o pronome o refere-se a "o hábito de dormir poucas horas" (masculino singular) e exerce função de objeto direto. Aqui o pronome relativo que precede o verbo, impondo próclise, ou seja, o pronome oblíquo átono vai antes do verbo: "os motoristas que o têm".

Obs.: lhe não seria adequado porque é pronome de objeto indireto, não podendo substituir o objeto direto nesses contextos.

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