Questão FC409392
Da calma e do silêncio Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem, quero mascar, rasgar entre os dentes, a pele, os ossos, o tutano do verbo, para assim versejar o âmag
Colocação Pronominal
VUNESP · 2021
Da calma e do silêncio
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
(Conceição Evaristo. Poemas da recordação e outros movimentos. Rio de Janeiro: Malê, 2017)
Assinale a alternativa em que o verso do poema está corretamente reescrito, no que se refere à norma-padrão de colocação pronominal.
- Quero rasgá-los para assim versejar.
- Não apressem-me, por favor.
- Os quero mascar entre os dentes.
- O silêncio atinge mundos submersos, os penetrando.
- Por que deixas-me caminhar?
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Gabarito
A
Comentário do professor
A forma Quero rasgá-los para assim versejar está correta pela regra da ênclise: o pronome oblíquo átono se une ao verbo, posicionando‑se depois dele quando não há palavra que atraia a próclise.
O verbo principal seguinte ao verbo auxiliar aparece no infinitivo (rasgar), forma que admite naturalmente a ênclise. Como o infinitivo termina em -r, o pronome os sofre a alteração formal para los ao ligar‑se: rasgar + os → rasgá‑los.
Essa junção exige hífen e o acento para manter a tonicidade correta: rasgá‑los. Assim, a frase obedece à norma‑padrão de colocação pronominal e à ortografia aplicada nesses casos.
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