Questão FC409424
Um dos restaurantes mais antigos do Rio, a Adega Flor de Coimbra, até hoje ostenta na parede um quadro dos velhos tempos: “Proibido beijos ousados”. O quadro continua lá pelo folcl
Colocação Pronominal
VUNESP · 2020
Beijos proibidos
Manier Sael, um imigrante haitiano em São Paulo, por meio de tocante entrevista ao jornal, contou que, ao chegar ao Brasil, e ao começar a namorar a brasileira que se tornaria sua mulher e mãe de sua filha, disse-lhe que tinha um desejo: beijá-la em público, na rua. “No Haiti, isso não existe”, ele explicou. “É uma coisa que eu nunca tinha visto na vida real, só na televisão. Ela falou que tudo bem. Como eu me senti nessa hora [ao beijá-la]? Me senti brasileiro”.
É interessante como, às vezes, precisamos de que alguém de fora venha nos revelar quem somos ou como somos. Haverá coisa mais corriqueira no Brasil do que beijar em público? Pelo menos, é o que pensamos e – considerando quantas vezes fizemos isso sem o menor problema – será preciso um exercício intelectual para nos lembrar de que pode ter havido exceções à regra.
Duas cidades do interior de São Paulo já tiveram juízes que proibiram beijos em praça pública. E isso não foi no século 19, mas nos anos loucos de 1980 e 1981. Até a proibição ser revogada por ridícula, vários casais foram parar na cadeia.
Um dos restaurantes mais antigos do Rio, a Adega Flor de Coimbra, até hoje ostenta na parede um quadro dos velhos tempos: “Proibido beijos ousados”. O quadro continua lá pelo folclore, claro – mesmo porque, tendo pedido sua farta e deliciosa feijoada à Souza Pinto, quem pensará em dar beijos, mesmo ousados?
E uma querida senhora que conheci, ao ver um casal se beijando na novela da TV, deu um profundo suspiro e, do alto de seus 90 anos, exclamou, talvez sem se dar conta de que todos na sala podiam escutá-la: “Eu nunca fui beijada!”.
Ali, naquele momento, todos nos conscientizamos da nossa tremenda fragilidade.
(www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2019/10/beijos-proibidos.shtml
Publicado em 28.10.2019. Adaptado)
Atendendo à norma-padrão de emprego e de colocação dos pronomes, assinale a alternativa em que a expressão destacada na frase pode ser substituída pela expressão entre parênteses.
- Para o repórter, Manier Sael concedeu ao repórter uma entrevista tocante. (o concedeu)
- Para a futura esposa, ele timidamente confessou à futura esposa o desejo de dar um beijo em público. (confessou-lhe)
- Cenas de beijos, somente pela televisão é que Manier havia visto cenas de beijos. (havia visto-as)
- Exceções à regra, precisamos de um exercício intelectual para recordar exceções à regra. (recordar-lhes)
- Quanto ao pedido de Manier, a namorada, que nada viu de constrangedor na situação, aceitou o pedido de Manier. (aceitou-o)
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Errado
Comentário do professor
A expressão "o pedido de Manier" exerce função de objeto direto do verbo aceitar. Por isso, a substituição recorre ao pronome oblíquo átono de 3.ª pessoa do singular o, que corresponde a objetos diretos masculinos.
No que se refere à colocação pronominal, trata‑se de uma oração principal afirmativa em que o verbo não vem precedido de elemento que exija proclise (negativo, advérbio, conjunção, etc.). Nessa situação, a norma‑padrão indica a ênclise, isto é, o pronome unido por hífen ao verbo: aceitou‑o.
Portanto, a forma correta é aceitou‑o, já que substitui o objeto direto e respeita a colocação pronominal padrão (ênclise) no contexto dado.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em