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Questão FC409448

Meu amigo Daniel Chomski, dono do sebo Berinjela, no Rio de Janeiro, surpreendeu-se outro dia usando uma expressão que, em anos de trato com livros, nunca lhe ocorrera pronunciar:

Colocação Pronominal

VUNESP · 2019

Fim do mundo ‘físico’


Meu amigo Daniel Chomski, dono do sebo Berinjela, no Rio de Janeiro, surpreendeu-se outro dia usando uma expressão que, em anos de trato com livros, nunca lhe ocorrera pronunciar: “livro físico”. E caiu em si no ato: por que livro “físico” se, até então, todos os livros que haviam passado por suas mãos eram apenas livros - objetos físicos - e não havia motivo para aquele apêndice boboca?


É claro que Daniel sabe a resposta e eu também. De algum tempo para cá, as pessoas têm falado de “livro físico” para diferenciá-lo do livro que, a poder de dois ou três cliques, sai de um lugar não sabido do ciberespaço e desembarca numa tabuleta eletrônica chamada, em português castiço, “tablet” - o e-book, ou livro eletrônico, que se lê mais com os dedos do que com os olhos. Considerando-se que o livro “físico”, de papel, existe há cerca de 1500 anos, deveria ter o direito de continuar sendo apenas e somente livro, não? Mas não é o que acontece.


O mesmo está acontecendo com o CD, o “disco físico” - que, ironicamente, passou a se chamar assim em pleno processo de extinção física -, em contraposição à música que também sai de qualquer lugar e nos entra pelas orelhas quase sem depender de intermediário.


E, idem, com o “filme físico”, o DVD, prestes a se tornar um objeto tão pré-histórico quanto uma mandíbula de pterodáctilo.


Há pouco, vi pela primeira vez alguém pagando as compras com o celular num supermercado sem caixas. É quase certo que, em breve, as últimas moças que ainda conservarem seus empregos serão chamadas de “caixas físicas”. E o “dinheiro físico” também ameaça deixar de ser impresso, tal o número de pessoas que hoje pagam até uma bala Juquinha com o cartão.


Imagino que, um dia, as pessoas “físicas”, tipo você e eu, também deixaremos de existir. Mas isso é problema de vocês.


(Ruy Castro. Folha de S.Paulo, 28.12.2018. Adaptado)

 

A substituição da expressão em destaque na frase “... em breve, as últimas moças que ainda conservarem seus empregos...” está em conformidade com a norma- -padrão de emprego e de colocação de pronomes em:

  1. ... em breve, as últimas moças que ainda conservarem-nos...
  2. ... em breve, as últimas moças que ainda conservarem-lhes...
  3. ... em breve, as últimas moças que ainda os conservarem...
  4. ... em breve, as últimas moças que ainda conservarem-os...
  5. ... em breve, as últimas moças que ainda lhes conservarem...
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A oração relativa exige substituição de “seus empregos” por um pronome oblíquo átono que concorde em género e número com o termo substituído: como empregos é masculino plural, usa-se os.

Além disso, o verbo conservar é transitivo direto (VTD), logo pede pronome de objecto directo (os), não o pronome indirecto lhe.

Quanto à colocação, a presença de uma palavra atrativa como ainda determina a proclise (o pronome antes do verbo). Assim, a forma normativa é: as últimas moças que ainda os conservarem, com o pronome anteposto ao verbo no futuro do subjuntivo.

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