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Leia o texto de Rubem Alves A arte de educar Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: “Veja!” e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o qu

Colocação Pronominal

VUNESP · 2019

Leia o texto de Rubem Alves

 

 

A arte de educar

 

Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: “Veja!” e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente… E ficando mais rico interiormente ele pode sentir mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.

 

Já li muitos livros sobre Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, Filosofia da Educação… Mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à Educação do Olhar. Ou à importância do olhar na educação, em qualquer um deles.

 

A primeira tarefa da Educação é ensinar a ver… É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo… Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.

 

A educação se divide em duas partes: Educação das Habilidades e Educação das Sensibilidades. Sem a Educação das Sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido. Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.

 

Quero ensinar às crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.

 

Para as crianças tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o voo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não veem.

 

Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci. E nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore… Ou para o curioso das simetrias das folhas. Parece que naquele tempo as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.

 

As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem… O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo e o mundo aparece refletido dentro da gente. São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida. Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança, jamais será sábio.

 

(Disponível em:< https://psicologiaacessivel.net>.

Acesso em: 18.11.2018)

 

 

Assinale a alternativa que reescreve livremente passagem do texto, de acordo com a norma-padrão de emprego e colocação dos pronomes.

  1. E nenhum professor jamais me chamou a atenção para a beleza de uma árvore.
  2. As palavras teriam sentido e ajudariam-nos a ver o mundo melhor.
  3. E nenhum professor tinha chamado-me a atenção para a beleza de uma árvore.
  4. Se abrem as janelas do corpo, quando se abrem os olhos.
  5. Quando abrimos nossos olhos sempre abrem-se as janelas do corpo.
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Gabarito

A

Comentário do professor

E nenhum professor jamais me chamou a atenção para a beleza de uma árvore.

Nesta frase, a colocação do pronome oblíquo átono obedece à regra da proclise. Palavras de sentido negativo ou restritivo que antecedem o verbo, como nenhum e o advérbio jamais, atraem o pronome para antes do verbo.

Assim, colocar me antes de chamou (ou seja, usar me chamou) corresponde à norma-padrão exigida nessas construções.

Além disso, a conjunção inicial E não altera essa obrigatoriedade; a presença de nenhum e jamais continua determinando a proclise.

Portanto, a frase reproduz adequadamente a norma culta quanto ao emprego e à colocação pronominal.

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