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Questão FC409455

Creio que muito de nossa insistência, enquanto professoras e professores, em que os estudantes “leiam”, num semestre, um sem-número de capítulos de livros, reside na compreensão er

Colocação Pronominal

VUNESP · 2019

Creio que muito de nossa insistência, enquanto professoras e professores, em que os estudantes “leiam”, num semestre, um sem-número de capítulos de livros, reside na compreensão errônea que às vezes temos do ato de ler. Em minha andarilhagem pelo mundo, não foram poucas as vezes em que jovens estudantes me falaram de sua luta às voltas com extensas bibliografias a serem muito mais “devoradas” do que realmente lidas ou estudadas. Verdadeiras “lições de leitura” no sentido mais tradicional desta expressão, a que se achavam submetidos em nome de sua formação científica e de que deviam prestar contas através do famoso controle de leitura. Em algumas vezes cheguei mesmo a ler, em relações bibliográficas, indicações em torno de que páginas deste ou daquele capítulo de tal ou qual livro deveriam ser lidas: “Da página 15 à 37”.


A insistência na quantidade de leituras sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada. A mesma, ainda que encarnada desde outro ângulo, que se encontra, por exemplo, em quem escreve, quando identifica a possível qualidade de seu trabalho, ou não, com a quantidade de páginas escritas. No entanto, um dos documentos filosóficos mais importantes de que dispomos, As teses sobre Feuerbach, de Marx, tem apenas duas páginas e meia...


Parece importante, contudo, para evitar uma compreensão errônea do que estou afirmando, sublinhar que a minha crítica à magicização da palavra não significa, de maneira alguma, uma posição pouco responsável de minha parte com relação à necessidade que temos, educadores e educandos, de ler, sempre e seriamente, os clássicos neste ou naquele campo do saber, de nos adentrarmos nos textos, de criar uma disciplina intelectual, sem a qual inviabilizamos a nossa prática enquanto professores e estudantes.


(Paulo Freire. A importância do ato de ler)

 

Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal.

  1. Na minha andarilhagem pelo mundo, encontrei jovens estudantes, muitas vezes. Me falaram de sua luta às voltas com extensas bibliografias.
  2. Basta-nos devorar extensas bibliografias e termos nossas leituras controladas para que nos tornemos bons leitores?
  3. Paulo Freire tinha colocado-se criticamente em relação à magicização da palavra, o que, ressalva, não era uma posição pouco responsável de sua parte.
  4. Os alunos que encontrava normalmente viam-se às voltas com extensas bibliografias, o que mostrava o quanto os professores queriam-nos lendo.
  5. Não mede-se a qualidade de um trabalho pela quantidade de páginas escritas, mas sim pela qualidade do pensamento ali exposto pelo autor.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase Basta-nos devorar extensas bibliografias e termos nossas leituras controladas para que nos tornemos bons leitores?, a colocação pronominal está em conformidade com a norma-padrão.

O uso de ênclise em Basta-nos é adequado porque o verbo inicia a oração afirmativa; nesse caso o pronome átono pode vir posposto ao verbo (forma padrão: verbo+pronome).

Já em para que nos tornemos observa-se próclise. A conjunção subordinativa para que é elemento "atraente" que pede o pronome antes do verbo, sobretudo em orações com verbo no subjuntivo.

Portanto, a alternância de ênclise após o verbo inicial e próclise na oração subordinada é gramaticalmente correta.

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