Questão FC409477
Leia o texto para responder a questão. O diabo-da-tasmânia está em risco de extinção, juntamente com grande parte da incomparável vida selvagem que faz da Austrália um lugar tão ún
Colocação Pronominal
VUNESP · 2019
Leia o texto para responder a questão.
O diabo-da-tasmânia está em risco de extinção, juntamente com grande parte da incomparável vida selvagem que faz da Austrália um lugar tão único e enigmático. No entanto, as pressões da vida moderna não atingem apenas a fauna local.
Embora a Austrália seja famosa em todo o mundo por sua biodiversidade, para o professor de linguística Ghil’ad Zuckermann, o país gera outro fascínio: suas línguas. Antes da chegada dos colonizadores europeus, a Austrália costumava ser uma das áreas com maior diversidade linguística do mundo, com cerca de 250 línguas diferentes.
Devido, em parte, ao longo isolamento geográfico, muitas delas desenvolveram estruturas gramaticais e conceitos completamente diferentes quando comparadas com outras ao redor do mundo. Uma dessas línguas, a Guugu Yimithirr, a qual é falada no norte do Estado de Queensland, deu ao mundo a palavra “canguru”.
Mas, de acordo com o Censo australiano de 2016, o Guugu Yimithirr tem apenas 775 falantes nativos vivos atualmente – e esse número está caindo. Das 250 línguas faladas antes da chegada dos colonos, todas, com exceção de 13, são consideradas de “alto risco de extinção” nos dias de hoje, e pouca gente presta atenção nisso.
“Acredito que a maioria das pessoas se preocupa mais com os animais em risco de extinção do que com línguas em risco de extinção”, explica Zuckerman. “A razão para isso é que os animais são tangíveis e, assim, as pessoas conseguem entender a importância da biodiversidade muito mais do que a importância da diversidade linguística.”
Zuckermann sustenta que preservar essa diversidade linguística é extremamente importante. Para comunidades indígenas na Austrália e no mundo, que ainda estão lutando contra o legado da colonização, ser capaz de falar sua língua ancestral é, portanto, uma questão de empoderamento e recuperação da identidade.
(Alex Rawlings. O homem que está ressuscitando idiomas extintos.
https://brasil.elpais.com, 24.04.2019. Adaptado)
Os pronomes estão empregados conforme a norma-padrão em:
- O diabo-da-tasmânia é um marsupial, o que coloca-o no mesmo grupo dos coalas e cangurus.
- É possível estudar Linguística na universidade, mas lá não aprendem-se todas as línguas do mundo.
- Mudanças climáticas estão extinguindo algumas espécies de animais, e não temos como lhes proteger.
- Muitos indígenas brasileiros falam uma língua ancestral e agora se esforçam para aprender o português.
- Jovens indígenas, muitas vezes, não conseguem uma vida normal, o que leva-lhes ao suicídio.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Na oração "Muitos indígenas brasileiros falam uma língua ancestral e agora se esforçam para aprender o português", o elemento focal é o pronome se.
Esse pronome integra o verbo pronominal esforçar‑se, indicando que o sujeito (3.ª pessoa do plural: muitos indígenas) realiza a ação sobre si mesmo; por isso há concordância verbal: se esforçam.
A colocação do pronome antes do verbo caracteriza a próclise. Nesse contexto, a presença do advérbio agora imediatamente antes do verbo atrai o pronome para a posição proclítica, em conformidade com a norma‑padrão.
Portanto, tanto a função do pronome (reflexiva/pronominal) quanto sua posição (próclise motivada pelo advérbio) estão corretas, o que justifica a alternativa indicada.
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