Questão FC409483
Leia o texto para responder a questão. Houve um tempo em que o jornalismo investigativo vivia de entrevistas confidenciais que pessoas bem informadas sobre algum assunto de interes
Colocação Pronominal
VUNESP · 2019
Leia o texto para responder a questão.
Houve um tempo em que o jornalismo investigativo vivia de entrevistas confidenciais que pessoas bem informadas sobre algum assunto de interesse davam a repórteres em que confiavam, em troca de não terem sua identidade revelada.
Eram tempos em que uma caneta, um bloquinho e uma agenda de telefones privilegiada constituíam todo o básico de investigação de qualquer jornalista. Um profissional sério desprezava até os gravadores de fita cassete, que, em geral, intimidavam os entrevistados. A palavra gravada precisava ser cuidadosamente medida e calculada. Em off, a conversa corria mais solta. Assim nasciam os grandes furos.
Por óbvio, naquele tempo já havia pequenos aparelhos desenvolvidos pelas agências de espionagem internacionais que permitiam instalar dispositivos de gravação e filmagem disfarçados de abajures, canetas, óculos e até botões de roupa. Nada disso, porém, era de fácil acesso às pessoas comuns – o que só mudaria com o advento dos smartphones, a partir do final da década de 1990.
A cumplicidade entre internet e dispositivos móveis de captação de som, imagem e informação, com a possibilidade de retransmissão instantânea do material captado, alterou de vez a relação entre o homem moderno e seu ambiente social. Começava, nesse momento, a grande derrocada da privacidade como a conhecemos um dia.
A primeira rede social via internet nos moldes atuais, a Classmates, surgiu em 1995, nos Estados Unidos e Canadá. Era voltada para a troca de informações entre estudantes universitários. Desde então, as redes se multiplicaram e acabaram por se transformar nos principais polos de disseminação de informação do planeta. A maior rede disponível hoje, o Facebook, foi criada em 2004 por estudantes de Harvard e reúne mais de 2,2 bilhões de usuários, entre pessoas reais, perfis falsos e robôs.
Por meio das redes, a indústria e o comércio sabem o que mais consumimos, presidentes são eleitos e derrubados, e os pecados que gostaríamos de ver escondidos são tornados públicos.
O onipresente olho nos acompanha a cada passo que damos, reconhecendo-nos quando circulamos, pretensamente anônimos, em meio às multidões dos blocos carnavalescos.
(Luiza Pastor. Redes sociais destruíram ideia de privacidade, diz pesquisadora. www1.folha.uol.com.br, 28.06.2019. Adaptado)
Encontra-se em conformidade com a norma-padrão da língua, quanto ao emprego e à colocação dos pronomes, a seguinte frase:
- Jornalistas sérios conheciam os gravadores de fita cassete, mas desprezavam-o.
- A privacidade começou a decair e não lhe protegem por causa dos interesses escusos.
- Além de medir bem a palavra gravada, o profissional adequadamente calcula-a.
- As pessoas com seus pecados, muitos ou poucos, os levam para a internet, os tornando públicos.
- Os grandes furos nasciam de conversas, e os informantes eram quem os providenciava.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A frase está correta quanto à colocação pronominal e à regência.
O clítico os aparece antes do verbo (proclise) em "quem os providenciava" porque a oração subordinada inicia‑se por quem, termo que atrai a colocação proclítica.
Quanto à regência, o verbo providenciar admite objeto direto; o pronome os refere‑se corretamente a os grandes furos, cumprindo a função de complemento direto.
Por fim, o uso de quem como pronome relativo/predicativo nessa construção é aceitável; a sequência mantém a concordância e preserva o sentido: os informantes eram os responsáveis por providenciar os furos.
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