Questão FC409531
Leia o texto, para responder à questão. Nas minhas pesquisas, tenho constatado que muitas mulheres brasileiras reproduzem e fortalecem, consciente ou inconscientemente, a lógica da
Colocação Pronominal
VUNESP · 2018
Leia o texto, para responder à questão.
Nas minhas pesquisas, tenho constatado que muitas mulheres brasileiras reproduzem e fortalecem, consciente ou inconscientemente, a lógica da dominação masculina. É verdade que o discurso hegemônico atual é o de libertação dos papéis que aprisionam a maioria das mulheres. No entanto, os comportamentos femininos não são tão livres assim; muitos valores mais tradicionais permanecem internalizados. Existe uma enorme distância entre o discurso libertário das brasileiras e seu comportamento e valores conservadores.
Não pretendo alimentar a ideia de que as mulheres são as piores inimigas das mulheres, mas provocar uma reflexão sobre os mecanismos que fazem com que a lógica da dominação masculina seja reproduzida também pelas mulheres. Nessa lógica, como argumentou Pierre Bordieu, os homens devem ser sempre superiores: mais velhos, mais altos, mais fortes, mais poderosos, mais ricos, mais escolarizados. Essa lógica constitui as mulheres como objetos, e tem como efeito colocá-las em um permanente estado de insegurança e dependência. Delas se espera que sejam submissas, contidas, discretas, apagadas, inferiores, invisíveis.
Em O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir escreveu que não definiria as mulheres em termos de felicidade, e sim de liberdade. Ela acreditava que, para muitas, seria mais confortável suportar uma escravidão cega do que trabalhar para se libertar. A filósofa francesa afirmou que a liberdade é assustadora, e que, por isso, muitas mulheres preferem a prisão à sua possível libertação. No entanto, ela acreditava que só existiria uma saída para as mulheres: recusar os limites que lhes são impostos e procurar abrir para si e para todas as outras o caminho da libertação.
(Miriam Goldenberg, O inferno são as outras. Veja, 07.03.2018)
Assinale a alternativa em que a expressão entre colchetes substitui o trecho destacado obedecendo à norma-padrão de emprego e colocação do pronome.
- Essa lógica constitui as mulheres como objetos ... [constitui elas]
- ... Simone de Beauvoir escreveu que não definiria as mulheres em termos de felicidade ... [definiria-as]
- ... seria mais confortável suportar uma escravidão cega do que trabalhar ... [suportar-lhe]
- ... muitas mulheres brasileiras fortalecem a lógica da dominação masculina. [fortalecem-a]
- ... muitas mulheres preferem a prisão à sua possível libertação. [preferem-na]
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Objeto direto: em «muitas mulheres preferem a prisão…», «a prisão» é o objeto direto do verbo preferem, portanto a substituição exige um pronome oblíquo átono correspondente ao feminino singular: a.
Posição do pronome: a oração é afirmativa e não há elemento que atraia a próclise, logo o pronome vem em ênclise ao verbo: preferem‑a.
Alteração gráfica: quando o verbo termina em -m (3.ª pessoa do plural), o pronome átono a assume a forma na por questão de pronúncia e ortografia: preferem‑na.
Resultado final: «muitas mulheres preferem a prisão…» → preferem‑na, que respeita concordância de gênero/número e a norma de colocação pronominal.
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