Questão FC409532
Por que projetos-piloto nem sempre dão os mesmos resultados na sala de aula?
Colocação Pronominal
VUNESP · 2018
Leia um trecho da entrevista com Haroldo Rocha, secretário estadual de Educação do Espírito Santo.
Apesar dos bons resultados, o Estado avançou menos nos anos finais do ensino fundamental. Quais as barreiras?
De fato, isso é um fenômeno nacional. Do 1º ao 5º ano, há uma melhoria mais acelerada, e do 6º ao 9º, com menos potência.
Há dois fenômenos. Um é interno: do 6º ao 9º ano muita coisa muda para a criança. Está passando para a adolescência e deixa de ter uma professora para ter dez. E a escola não tem uma metodologia bem articulada para que todos os conhecimentos ali passados façam sentido.
Há também uma questão externa. Adultos e crianças hoje são muito afetados por tecnologia, redes sociais, trocas de informação. O mundo está muito dispersivo, e a aprendizagem exige foco e concentração.
É um desafio adicional para a escola. Além do desenvolvimento acadêmico e cognitivo – ler, escrever, fazer contas, interpretar história –, a escola terá que se preocupar com o desenvolvimento de competências socioemocionais: metodologia para que as crianças aprendam a administrar suas emoções, trabalhar em equipe, ter foco, persistência, resiliência.
O governo capixaba coordenou pesquisa para descobrir por que jovens de 14 a 29 anos deixaram a escola. Que política esse diagnóstico inspirou?
Esses jovens foram alunos de nossas escolas públicas e as abandonaram porque precisavam trabalhar, engravidaram, não gostavam de estudar ou achavam a escola chata.
O que mais temos discutido é como envolver o jovem com a escola. Recentemente introduzimos o líder de turma, escolhido pelos colegas para discutir soluções pela ótica dos alunos.
Por que projetos-piloto nem sempre dão os mesmos resultados na sala de aula?
Falta de treinamento é um motivo. O professor é absolutamente estratégico. É fundamental capacitar de um ponto de vista bem operacional como ele trabalha com o aluno. O mundo mudou muito, as exigências são outras.
O trabalho do professor hoje é totalmente diferente, e as instituições formadoras ainda trabalham de forma tradicional. Fazemos pesquisa e estamos gastando muita energia para definir a formação do professor do século 21.
Não nos cabe achar que hoje está pior ou melhor que no passado, mas nos programarmos para atender a criança no mundo de hoje, diverso, em que tudo é muito rápido, em que nada se sustenta, com profissões que nem existem mais e outras que a gente nem imagina.
Como motivar se falamos de coisas de antigamente? É um desafio diferente. Os professores precisam ser capazes de ler o mundo desses alunos.
(Ana Estela de Sousa Pinto e Érica Fraga. Folha de S.Paulo, 09.12.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o pronome, indicado entre parênteses, substitui corretamente a expressão destacada e está adequadamente colocado na frase.
- As escolas normalmente não praticam uma metodologia bem articulada. (praticam-na.)
- É imprescindível pensar como envolver o jovem com a escola. (envolver-lhe.)
- Muitos alunos desistem dos estudos, visto que consideram a escola monótona. (consideram-na.)
- Recentemente as escolas introduziram o líder de turma. (lhe introduziram)
- A aprendizagem eficiente exige foco e concentração. (exige-os)
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A expressão “foco e concentração” funciona como objeto direto composto do verbo exige — ou seja, dois núcleos que recebem diretamente a ação.
Para substituí‑lo, usa‑se o pronome oblíquo átono correspondente ao gênero e número do objeto. Como há um termo masculino entre os núcleos, o conjunto fica no masculino plural, portanto o pronome adequado é os.
Quanto à colocação, não há termo atrativo antes do verbo (negação, advérbio, conjunção etc.), logo aplica‑se a ênclise: o pronome vem após o verbo, ligado por hífen. Daí a forma correta: exige‑os.
Conclusão: exige‑os substitui corretamente “foco e concentração” e está adequadamente colocado.
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