Questão FC409541
Frei Caneca e a Virgem Maria No dia 13 de janeiro de 1825, um condenado caminhava com passos firmes na direção da forca, no centro do Recife. Era o frei Joaquim do Amor Divino Cane
Colocação Pronominal
VUNESP · 2018
Frei Caneca e a Virgem Maria
No dia 13 de janeiro de 1825, um condenado caminhava com passos firmes na direção da forca, no centro do Recife. Era o frei Joaquim do Amor Divino Caneca, o lendário Frei Caneca, lutador incansável pela independência do Brasil. Ele tinha participado da revolta da Confederação do Equador, sufocada pelo governo de Pernambuco. Vestia o hábito da Irmandade da Madre de Deus. Sob o olhar curioso da multidão, foi submetido ao degradante ritual da desautoração*, perdendo os direitos eclesiásticos, para que pudesse enfrentar o suplício da forca.
Impassível e altivo, deixou que os monges despissem suas vestes sagradas. Permaneceu firme quando recebeu na tonsura** o golpe simbólico da excomunhão. O carrasco já se preparava para o gesto fatal, quando recuou, com o rosto pálido, dizendo que a Virgem Maria estava junto ao condenado. Veio então o ajudante do carrasco, que também se recusou a executar Frei Caneca, diante da visão da Virgem Maria. Aí foram buscar dois escravos. E esses, mesmo duramente açoitados, negaram-se a participar da execução. O juiz mandou trazer dois presos da cadeia pública e lhes ofereceu a liberdade em troca da execução de Frei Caneca. E eles igualmente se negaram, alegando a visão da Virgem Maria.
Mas era preciso matar Frei Caneca de qualquer jeito, como exemplo para desencorajar futuros conspiradores. O juiz então ordenou que ele fosse fuzilado. Percebendo que os soldados tremiam com as armas na mão, Frei Caneca procurou exortá-los:
– Vamos, meus amigos. Não me façam sofrer muito. Virgem Maria há de compreender os vossos temores. Tenham fé, ela já os perdoou.
E os tiros provocaram um arrepio na multidão silenciosa.
(Eloy Terra. 500 anos: Crônicas pitorescas da história do Brasil. Adaptado)
*Desautoração: privação da dignidade do cargo, como medida punitiva.
**Tonsura: corte redondo dos cabelos no topo da cabeça dos clérigos.
A alternativa que reescreve o trecho “O juiz então ordenou que ele fosse fuzilado.”, de acordo com a norma padrão de emprego e colocação de pronome, é:
- O juiz então ordenou que lhe fuzilassem.
- O juiz então ordenou que fuzilassem-lhe.
- O juiz então ordenou que fuzilassem-o.
- O juiz então ordenou que fuzilassem ele.
- O juiz então ordenou que o fuzilassem.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O juiz então ordenou que o fuzilassem.
Na oração introduzida por que há uma oração subordinada substantiva objetiva direta, ou seja, toda a oração funciona como objeto direto do verbo "ordenou".
O verbo fuzilar é transitivo direto; o alvo da ação (Frei Caneca) deve ser representado por um pronome oblíquo átono de objeto direto: o (3.ª pessoa, masculino, singular).
Pela presença da conjunção integrante "que", o pronome oblíquo átono antepõe‑se ao verbo (proclise), formando "que o fuzilassem".
Assim, "que o fuzilassem" é a forma correta e normativamente exigida para recuperar o objeto direto da ação.
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