Questão FC409543
Leia o texto para responder à questão. O gosto na era do algoritmo Às segundas-feiras pela manhã, os usuários do Spotify (serviço de transferência de dados via internet que dá aces
Colocação Pronominal
VUNESP · 2018
Leia o texto para responder à questão.
O gosto na era do algoritmo
Às segundas-feiras pela manhã, os usuários do Spotify (serviço de transferência de dados via internet que dá acesso a músicas e outros conteúdos de artistas) recebem uma lista personalizada de músicas que lhes permite descobrir novidades. O sistema se baseia em um algoritmo cuja evolução e usos aplicados ao consumo cultural são infinitos. De fato, plataformas de transmissão de dados cinematográficos, como a Netflix, começam a desenhar suas séries de sucesso rastreando os dados gerados por todos os movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor, que pode avançar até chegar sempre a lugares reconhecíveis.
O algoritmo, sustentam seus críticos, nos torna chatos, previsíveis, e empobrece nossa curiosidade por explorar o acervo cultural. Ramón Sangüesa, coordenador do Data Transparency Lab (Laboratório de Transparência de Dados), consegue ver vantagens, mas também riscos. “Esses sistemas se baseiam no passado para predizer o futuro. A primeira dificuldade é conseguir a massa crítica para que tenhamos mais dados e as projeções sejam melhores. Mas sempre se corre o risco de ficar em uma mesma área de recomendação. No consumo cultural, o perigo está na uniformização do gosto, o que chamamos de filtro bolha. E assim vão sendo criados comportamentos padronizados”, afirma.
A questão, no entanto, é se os limites impostos na aprendizagem pelos sistemas fechados de computação são equiparáveis aos erros e possíveis idiotices que cometemos durante anos formando nosso próprio gosto. O escritor Eloy Fernández Porta não vê grande diferença. Segundo ele, antes do Spotify e fora dele o gosto já vinha determinado por critérios de acesso, aceitação, atualidade e distinção. “Sempre vivemos a música em um algoritmo, o que acontece é que em vez de chamá-lo de matemática o chamamos de espontaneidade. O algoritmo do Spotify não me parece menos confiável do que a fórmula caótica que cada ouvinte inventou. Nem menos humano: quando fazemos analogias erradas ou nos empenhamos em recomendar o primeiro disco de Vincent Gallo, nossas sinapses estão dando os mesmos maus passos”, afirma.
(Daniel Verdú. https://brasil.elpais.com/brasil/. 09.07.2016. Adaptado)
Em “uma lista personalizada de músicas que lhes permite descobrir novidades”, a expressão destacada pode ser substituída, conforme a norma-padrão, por:
- os concede.
- lhes induz a.
- os possibilita.
- lhes estimula a.
- os leva a.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na frase “uma lista personalizada de músicas que os leva a descobrir novidades”, o destaque recai sobre o verbo levar, que admite estrutura de transitividade direta e indireta: quem leva leva alguém (objeto direto) a fazer algo (complemento introduzido por preposição).
Portanto, o pronome oblíquo os exerce aqui a função de objeto direto — refere-se aos usuários que a lista conduz — e a locução a descobrir novidades funciona como o complemento regido pela preposição a, indicando direção/resultado da ação.
Essa combinação respeita a norma-padrão: verbo transitivo direto e indireto + pronome de objeto direto (os) + complemento introduzido por a, resultando na construção correta e clara do enunciado.
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