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Questão FC409544

Leia o texto para responder à questão. O gosto na era do algoritmo Às segundas-feiras pela manhã, os usuários do Spotify (serviço de transferência de dados via internet que dá aces

Colocação Pronominal

VUNESP · 2018

Leia o texto para responder à questão.

 

O gosto na era do algoritmo

 

Às segundas-feiras pela manhã, os usuários do Spotify (serviço de transferência de dados via internet que dá acesso a músicas e outros conteúdos de artistas) recebem uma lista personalizada de músicas que lhes permite descobrir novidades. O sistema se baseia em um algoritmo cuja evolução e usos aplicados ao consumo cultural são infinitos. De fato, plataformas de transmissão de dados cinematográficos, como a Netflix, começam a desenhar suas séries de sucesso rastreando os dados gerados por todos os movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor, que pode avançar até chegar sempre a lugares reconhecíveis.

 

O algoritmo, sustentam seus críticos, nos torna chatos, previsíveis, e empobrece nossa curiosidade por explorar o acervo cultural. Ramón Sangüesa, coordenador do Data Transparency Lab (Laboratório de Transparência de Dados), consegue ver vantagens, mas também riscos. “Esses sistemas se baseiam no passado para predizer o futuro. A primeira dificuldade é conseguir a massa crítica para que tenhamos mais dados e as projeções sejam melhores. Mas sempre se corre o risco de ficar em uma mesma área de recomendação. No consumo cultural, o perigo está na uniformização do gosto, o que chamamos de filtro bolha. E assim vão sendo criados comportamentos  padronizados”, afirma.

 

A questão, no entanto, é se os limites impostos na aprendizagem pelos sistemas fechados de computação são equiparáveis aos erros e possíveis idiotices que cometemos durante anos formando nosso próprio gosto. O escritor Eloy Fernández Porta não vê grande diferença. Segundo ele, antes do Spotify e fora dele o gosto já vinha determinado por critérios de acesso, aceitação, atualidade e distinção. “Sempre vivemos a música em um algoritmo, o que acontece é que em vez de chamá-lo de matemática o chamamos de espontaneidade. O algoritmo do Spotify não me parece menos confiável do que a fórmula caótica que cada ouvinte inventou. Nem menos humano: quando fazemos analogias erradas ou nos empenhamos em recomendar o primeiro disco de Vincent Gallo, nossas sinapses estão dando os mesmos maus passos”, afirma.

 

(Daniel Verdú. https://brasil.elpais.com/brasil/. 09.07.2016. Adaptado)

 

Considere a colocação pronominal nos trechos que seguem:

 

I. … uma lista personalizada de músicas que lhes permite descobrir novidades.

 

II. O algoritmo, sustentam seus críticos, nos torna chatos, previsíveis…

 

III. O algoritmo do Spotify não me parece menos confiável do que a fórmula caótica…

 

A norma-padrão permite que seja colocado após o verbo o pronome destacado apenas em:

  1. I.
  2. I e II.
  3. II.
  4. III.
  5. II e III.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Na frase do item II, a colocação do pronome após o verbo é permitida porque a oração principal é uma oração afirmativa sem palavras que exijam a próclise.

O trecho "O algoritmo, sustentam seus críticos, torna nos chatos…" tem um aposto entre vírgulas; tal inserção não altera a posição do pronome em relação ao verbo principal. Não há advérbio negativo, pronome relativo, conjunção subordinativa ou outro elemento atrativo que obrigue o pronome a vir antes.

Na norma‑padrão, quando não há atração para a próclise, admite‑se a ênclise (pronome após o verbo): "O algoritmo ... torna‑nos chatos". Assim, a colocação pós‑verbal está correta e autorizada pelo uso culto.

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