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Questão FC409555

Emprego sem futuro A relação entre tecnologia e emprego sempre foi conflituosa. Se, do ponto de vista do observador imparcial, a tecnologia enriquece a sociedade e apenas transform

Colocação Pronominal

VUNESP · 2018

Emprego sem futuro

 

A relação entre tecnologia e emprego sempre foi conflituosa. Se, do ponto de vista do observador imparcial, a tecnologia enriquece a sociedade e apenas transforma o emprego, do ponto de vista do sujeito que recebia todo mês um contracheque e foi demitido porque suas funções passaram a ser executadas por um robô, ela mata mesmo.

 

Os primeiros prejudicados foram os trabalhadores menos qualificados, que desempenhavam tarefas pouco criativas, pesadas e repetitivas. Mas a coisa não parou por aí e máquinas, robôs e computadores continuaram a transformar a produção, tirando o emprego de muita gente.

 

Do alto de sua soberba, trabalhadores do topo da pirâmide social, que exerciam funções criativas e que exigiam o domínio de grande volume de conhecimento específico, achavam que estavam protegidos. “Minha profissão jamais poderá ser exercida por uma máquina que soma zeros e uns”, pensavam. Mas aí vieram a inteligência artificial e o “big data”.

 

Hoje, até a medicina está perdendo atribuições para algoritmos inteligentes. Computadores já diagnosticam cânceres melhor do que médicos de carne e osso. Também podem superá-los na prescrição do tratamento, como é o caso do braço oncológico do supercomputador Watson da IBM, que faz análises genéticas comparativas dos tumores como nenhum humano é capaz de fazer.

 

Algo parecido começa a ocorrer na cardiologia, na oftalmologia e até na psiquiatria, com o desenvolvimento de algoritmos que facilitam diagnósticos e dispositivos que alteram profundamente as práticas correntes.

 

Parece exagero afirmar que os médicos vão ficar sem emprego, porém eles decerto terão cada vez mais de dividir tarefas com os computadores.

 

(Hélio Schwartsman. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ 

colunas/ Acesso em: 11.03.2018.)

 

Considere a seguinte frase escrita a partir do texto:

 

... os trabalhadores menos qualificados, que desempenhavam tarefas pouco criativas, pesadas e repetitivas, foram os primeiros prejudicados.

 

Substituindo-se a expressão “tarefas pouco criativas, pesadas e repetivas”, fica em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, quanto ao uso e à colocação do pronome, a seguinte redação:

  1. ... os trabalhadores menos qualificados, que as desempenhavam, foram os primeiros prejudicados.
  2. ... os trabalhadores menos qualificados, que desempenhavam- as, foram os primeiros prejudicados.
  3. ... os trabalhadores menos qualificados, que lhes desempenhavam, foram os primeiros prejudicados.
  4. ... os trabalhadores menos qualificados, que desempenhavam- lhes, foram os primeiros prejudicados.
  5. ... os trabalhadores menos qualificados, que desempenhavam- nas, foram os primeiros prejudicados.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na oração, a expressão “tarefas pouco criativas, pesadas e repetitivas” exerce a função de objeto direto do verbo desempenhavam; logo, a substituição exige um pronome que represente um objeto direto feminino plural, isto é, as.

Como a oração relativa é introduzida pelo pronome relativo que, aplica‑se a regra da próclise: o pronome oblíquo átono vem antes do verbo. Por isso a forma correta é que as desempenhavam, e não colocada após o verbo.

Observação sucinta: se o pronome se unisse ao final do verbo (ênclise) ocorreria a fusão morfológica em alguns casos (ex.: verbos terminados em -r/-s/-z → -las; em -m/-ão/-õe → -nas), mas a presença do pronome relativo impede essa junção.

Portanto, “que as desempenhavam” é a redação conforme a norma‑padrão, por concordância de gênero/número e pela atração próclítica do pronome relativo.

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