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Questão FC409590

Lembro o sucesso de “boko moko”, criado por uma marca de refrigerante para rotular de cafona quem não tomava a tal bebida. Caiu na boca do povo. Cafona vale? Ou devo dizer “out”, c

Colocação Pronominal

VUNESP · 2017

A questão baseia no texto apresentado abaixo.

 

A idade das palavras

 

Já cansei de ver gente madura falando gíria para parecer jovem. O trágico é que, em geral, a gíria é velha, daí que é terrível ver uma senhora madura e plastificada dizendo “Eu sou prafrentex!”.

 

Esse termo foi usado nos anos 60 para dizer que uma jovem aceitava comportamentos mais ousados, tipo viajar no fim de semana para a praia com um grupo de amigos, o máximo de liberdade imaginável até então. 

 

Mas agora é passado… Assim como as variações para falar de homem bonito. Houve época em que era “pão”, agora se usa gato, se não estou atrasado… Volta e meia noto  alguém exclamar à passagem de um homem atlético: “Ai, que pão!”.

 

Esse é o mal das gírias. Marcam a juventude de cada um. O tempo passa, mas fica difícil mudar o modo de falar.

 

Lembro o sucesso de “boko moko”, criado por uma marca de refrigerante para rotular de cafona quem não tomava a tal bebida. Caiu na boca do povo. Cafona vale? Ou devo dizer “out”, como na década de 90?

 

Reconheço, tenho saudade de certos termos. Lembro-me das conversas com os amigos nos anos 70, quando fiz faculdade e era frequente ouvir “tou numas com ela”, equivalente, guardadas algumas proporções, ao “ficar” de hoje em dia.

   

Que adolescente aceitaria hoje ir a um “mingau dançante”? Vão para a balada, para a “night”. Aliás, a maioria foge de mingau e de qualquer delícia que engorde! Muita gente odeia gíria e a considera um dialeto capaz de estraçalhar a língua. Elas esquecem que, no seu tempo, também a usavam.

   

Não é fácil acompanhar sua evolução e, às vezes, me confundo: não sei se ainda se fala “hype” para indicar algo que no passado foi “in”. Ou que alguém é “fashion”, para dizer que está “nos trinques”, como nos anos 80.

   

A verdade é: não há botox ou plástica que resista. Gíria velha denuncia a idade mais do que as rugas!

 

(Walcyr Carrasco. http://vejasp.abril.com.br/cidades/ a-idade-das-palavras/ Adaptado)

 

O termo “boko moko” foi criado para rotular as pessoas de cafona porque não tomavam a tal bebida. Os pronomes que substituem corretamente as expressões destacadas e estão adequadamente colocados na frase encontram-se na alternativa:

  1. O termo “boko moko” foi criado para rotulá-las de cafona porque não tomavam-na.
  2. O termo “boko moko” foi criado para rotulá-las de  cafona porque não a tomavam.
  3. O termo “boko moko” foi criado para as rotular de cafona porque não lhe tomavam.
  4. O termo “boko moko” foi criado para rotular-lhes de cafona porque não tomavam-na.
  5. O termo “boko moko” foi criado para lhes rotular de cafona porque não a tomavam.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase, as expressões destacadas são objeto direto: “as pessoas” completa o sentido de rotular e “a tal bebida” completa o sentido de tomavam.

Para objetos diretos na 3.ª pessoa usamos os pronomes o, a, os, as. Assim, “as pessoas” (fem., pl.) é substituída por las, ligada a rotular por ênclise: rotulá-las. Como o verbo termina em -r, ao unir-se ao clítico o verbo perde essa terminação.

Já “a tal bebida” (fem., sg.) é substituída por a. A presença da negação não atrai o pronome para antes do verbo (próclise), ficando não a tomavam; nesse caso o verbo conserva sua forma.

Portanto, a frase correta é: O termo “boko moko” foi criado para rotulá-las de cafona porque não a tomavam.

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