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Questão FC409592

Leia o texto para responder à questão a seguir. O futuro da universidade Marcelo Knobel, reitor da Unicamp, disse em entrevista que o teto salarial paulista, hoje em R$ 21 mil, é u

Colocação Pronominal

VUNESP · 2017

Leia o texto para responder à questão a seguir.

 

O futuro da universidade

 

Marcelo Knobel, reitor da Unicamp, disse em entrevista que o teto salarial paulista, hoje em R$ 21 mil, é uma ameaça à excelência das universidades públicas do Estado de São Paulo. Com esse valor para o topo da carreira, fica difícil atrair os melhores talentos. Concordo, mas acrescento que a lista de constrangimentos não para aí.

    A isonomia salarial, tão celebrada pelos sindicatos, produz um efeito muito semelhante. Mesmo que não houvesse teto, a regra segundo a qual não pode haver diferenças salariais entre professores com a mesma titulação e tempo de carreira impediria as universidades públicas de contratar prêmios Nobel ou quaisquer outros pesquisadores de gabarito internacional. Para escancarar o absurdo da coisa, tente imaginar um clube como o Barcelona ou o PSG tendo de lidar com uma norma que manda pagar o mesmo para a estrela do time e o terceiro goleiro reserva.

   Teto e isonomia são apenas dois exemplos de uma série de empecilhos institucionais que, receio, acabarão condenando as universidades públicas à mediocridade. Para tornar o quadro mais dramático, vale lembrar que hoje, ao contrário de décadas passadas, elas já não reinam absolutas.

   Em áreas como medicina, direito, economia e engenharias, que têm forte inserção no mercado, já surgiram instituições privadas que oferecem cursos de qualidade comparável ou até superior aos da Unicamp, USP etc. Elas ainda ficam bastante atrás em pesquisa e é improvável que se interessem por criar cursos quase que fadados a ser deficitários como sânscrito ou astronomia, que são, entretanto, o que assegura o caráter de universalidade que faz parte até da raiz da palavra “universidade”.

   De todo modo, se as universidades públicas querem manter a relevância, precisam pensar em reformas mais profundas do que apenas criar cotas ou estancar o deficit orçamentário.

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, http://www1.folha.uol.com.br/ colunas/helioschwartsman/2017/08/1913821-o-futuro-da-universidade.shtml. 29.08.2017. Adaptado)

 

Considere a seguinte frase escrita a partir do texto. Teto e isonomia são apenas dois exemplos de uma série de empecilhos institucionais que condenarão as universidades públicas à mediocridade. Substituindo-se a expressão “as universidades públicas”, fica em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, quanto ao uso e à colocação do pronome, a seguinte redação:

  1. ... uma série de empecilhos institucionais que as condenarão à mediocridade.
  2. ... uma série de empecilhos institucionais que condenarão-as à mediocridade.
  3. ... uma série de empecilhos institucionais que lhes condenarão à mediocridade.
  4. ... uma série de empecilhos institucionais que condenarão-lhes à mediocridade.
  5. ... uma série de empecilhos institucionais que condenarão-nas à mediocridade.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na redação “…uma série de empecilhos institucionais que as condenarão à mediocridade”, o pronome oblíquo átono as retoma as universidades públicas e aparece em proclise por causa do pronome relativo que, que atrai o clítico para antes do verbo (forma correta: que as condenarão, não *condenarão‑as*).

Além disso, o verbo condenar tem regime transitivo direto e indireto (VTDI): “condenar alguém a algo”. Logo, o referente é objeto direto e exige pronome acusativo (as), não pronome oblíquo tónico/dativo (lhes), que seria inadequado.
“À mediocridade” é o complemento preposicionado (objeto indireto).

Portanto, a forma “que as condenarão à mediocridade” observa tanto a colocação pronominal imposta por que quanto a função sintática do objeto direto.

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