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Questão FC409598

– Ele esteve aqui. É um senhor de idade. Bonitão, viu?

Colocação Pronominal

VUNESP · 2016

Leia a crônica Caso de polícia, de Ivan Angelo, e responda à questão.


Desde que viu pela primeira vez um filme policial, o rapaz quis ser um homem da lei. Sonhava viver aventuras, do lado do bem. Botar algemas nos pulsos de um criminoso e dizer, como nos livros: “Vai mofar na cadeia, espertinho”.


Estudou Direito com o objetivo de ser delegado de polícia. No início do curso, até pensou em tornar-se um grande advogado criminal, daqueles que desmontam um por um os argumentos do nobre colega, mas a partir do segundo ano percebeu que seu negócio eram mesmo as algemas. Assim que se formou, inscreveu-se no primeiro concurso público para delegado. Fez aulas de defesa pessoal e tiro. Estudou tanto que passou em primeiro lugar e logo saiu a nomeação para uma delegacia em bairro de classe média, Vila Mariana.


No dia de assumir o cargo, acordou cedo, fez a barba, tomou uma longa ducha, reforçou o desodorante para o caso de algum embate prolongado, vestiu o melhor terno, caprichou na gravata e olhou-se no espelho satisfeito. Encenou um sorriso cínico imitando Sean Connery e falou:


– Meu nome é Bond. James Bond.


Na delegacia, percorreu as dependências, conheceu a equipe, conferiu as armas, as viaturas, e sentou-se à mesa, à espera do primeiro caso. Não demorou: levaram até ele uma senhora idosa e enfezada.


– Doutor, estão atirando pedras no meu varal!


Adeus 007. O delegado-calouro caiu na besteira de dizer à queixosa que aquilo não era crime.


– Não é crime? Quer dizer que podem jogar pedras no meu varal?


– Eu não posso prender ninguém por isso.


– Ah, é? Então a polícia vai permitir que continuem a jogar pedras no meu varal? A sujar minha roupa?


James Bond não tinha respostas. Procurou saber quem jogava as pedras. A velha senhora não sabia, mas suspeitava de alguém da casa ao lado. O delegado mandou “convidarem” o vizinho para uma conversa e pediu que trancassem a senhora numa sala.


– Ai, meu Deus, só falta ser um velhinho, para completar!


– murmurou o desanimado Bond.


Era um velhinho que confessou tudo dando risadinhas travessas. Repreendeu-o com tom paterno:


– O senhor não pode fazer uma coisa dessas. Por que isso, aborrecer as pessoas?


– É para passar o tempo. Vivo sozinho, e com isso eu me divirto um pouco, né?


O moço delegado cruzou as mãos atrás da cabeça, fechou os olhos e meditou sobre os próximos trinta anos. Pensou também na vida, na solidão e em arranjar uma namorada. Abriu os olhos e lá estava o velhinho.


– Pois eu vou contar uma coisa. A sua vizinha, essa do varal, está interessadíssima no senhor, gamadona.


O velho subiu nas nuvens, encantado. Recusou-se a dar mais detalhes, mandou-o para casa, e chamou a senhora:


– Ele esteve aqui. É um senhor de idade. Bonitão, viu?


Confessou que fez tudo por amor, para chamar a sua atenção. Percebeu que uma chama romântica brilhou nos olhos dela.


Caso encerrado.


(Humberto Werneck, Org. Coleção melhores crônicas – Ivan Angelo. Global, 2007. Adaptado)

 

Considere os trechos destacados na frase a seguir.


Na delegacia, vagarosamente percorreu as dependências, cumprimentou todos da equipe, decidiu conferir as armas e as viaturas e sentou-se à mesa, onde aguardou o seu primeiro caso.


Assinale a alternativa em que os pronomes estão adequadamente colocados na frase e substituem, correta, respectivamente e de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as expressões destacadas.

  1. Na delegacia, vagarosamente as percorreu, cumprimentou- os, decidiu conferi-las e sentou-se à mesa, onde o aguardou.
  2. Na delegacia, vagarosamente as percorreu, cumprimentou- os, decidiu conferir-lhes e sentou-se à mesa, onde aguardou-o.
  3. Na delegacia, vagarosamente as percorreu, cumprimentou- lhes, decidiu conferi-las e sentou-se à mesa, onde aguardou-o.
  4. Na delegacia, vagarosamente percorreu-as, cumprimentou- lhes, decidiu conferi-las e sentou-se à mesa, onde o aguardou.
  5. Na delegacia, vagarosamente percorreu-as, cumprimentou- os, decidiu conferir-lhes e sentou-se à mesa, onde aguardou-o.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa A está correta porque respeita a colocação pronominal e a função sintática dos pronomes.

As expressões destacadas são objeto direto, portanto substituídas por pronomes oblíquos retos: as, os, as, o.

O advérbio vagarosamente atrai o pronome para antes do verbo (próclise): "vagarosamente as percorreu".

Sem elemento atrativo, usa-se ênclise após o verbo: "cumprimentou-os".

No infinitivo "conferir" o pronome fica enclítico e, por o verbo terminar em -r, a forma é ajustada para "-las": "decidiu conferi-las".

O advérbio relativo onde também atrai o pronome (próclise): "onde o aguardou".

Assim, a sequência "as percorreu, cumprimentou-os, conferi-las, o aguardou" obedece às regras de posição e forma dos pronomes oblíquos na norma-padrão.

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