Questão FC409627
Leia o texto para responder a questão abaixo. Corrida contra a zika O surto de casos de microcefalia associados com o vírus da zika, no Brasil e noutros países, impulsionou um vaga
Colocação Pronominal
VUNESP · 2016
Leia o texto para responder a questão abaixo.
Corrida contra a zika
O surto de casos de microcefalia associados com o vírus da zika, no Brasil e noutros países, impulsionou um vagalhão de publicações científicas. A associação é nova e extraordinária, e a emergência por ela criada também imprime feições extraordinárias à onda de pesquisas sobre o assunto(a).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a microcefalia como emergência internacional em 1º de fevereiro. Em seu plano de ação, propôs acelerar a publicação de estudos e o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e terapias(b). Desde então, já editou 15 artigos em seu boletim especial, “Open Zika”.
A celeridade se justifica pelo imperativo de fazer circular mais rapidamente informações que possam ser úteis a outros pesquisadores e a profissionais de saúde no front de tratamento dos afetados.
Para tanto, abre-se mão, temporariamente, da principal salvaguarda da qualidade científica, a revisão por pares(c) (“peer review”).
Pesquisadores do mundo todo, e notadamente no Brasil, atenderam ao chamado da OMS e vêm publicando seus artigos de modo imediato, sem esperar pela chancela dos pares. Utilizam para isso repositórios eletrônicos de estudos preliminares, não auditados, como “bioRxiv” e “PeerJ Preprints”(d).
Assim procedem, entre outros, os grupos de Paolo Zanotto, da USP, e de Stevens Rehen, da UFRJ(e). Eles têm veiculado por esse atalho estudos de grande repercussão, dos efeitos do vírus zika em minicérebros cultivados em laboratório à presença do vírus em saguis e macacos-prego do Ceará.
A pressa, no entanto, não torna obsoleto o controle de qualidade, ainda que a posteriori. A zika engendrou uma situação excepcional, impondo a agilidade na divulgação de resultados. Leigos e especialistas, contudo, não podem perder de vista seu caráter preliminar e a necessidade de tomá-los pelo valor de face apenas depois de submetidos ao teste do tempo.
(Folha de S.Paulo, 13.05.2016. Adaptado)
Evanildo Bechara (2004), ao tratar a sintaxe de colocação ou ordem, observa que “a colocação do verbo [fica] depois do sujeito, não havendo passiva com o pronome se ou quando não se trata de interrogação parcial com pronome não sujeito ou advérbio interrogativo”. Porém, observa o autor que “a ordem que saia do esquema SVC (sujeito-verbo-complemento) se diz inversa ou ocasional”, como bem ilustra a seguinte passagem do texto:
- ... e a emergência por ela criada também imprime feições extraordinárias à onda de pesquisas sobre o assunto.
- ... propôs acelerar a publicação de estudos e o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e terapias.
- Para tanto, abre-se mão, temporariamente, da principal salvaguarda da qualidade científica, a revisão por pares...
- Utilizam para isso repositórios eletrônicos de estudos preliminares, não auditados, como “bioRxiv” e “PeerJ Preprints”.
- Assim procedem, entre outros, os grupos de Paolo Zanotto, da USP, e de Stevens Rehen, da UFRJ.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na frase “Assim procedem, entre outros, os grupos de Paolo Zanotto, da USP, e de Stevens Rehen, da UFRJ.” ocorre a colocação do verbo antes do sujeito: procedem (verbo) precede os grupos... (sujeito).
Essa disposição é chamada de ordem inversa ou ocasional, em que a sequência habitual SVC (sujeito‑verbo‑complemento) é alterada para dar destaque ou variação estilística.
Gramaticalmente, a construção mantém a função sintática: o verbo concorda em número com o sujeito posposto (procedem → os grupos), e o conjunto final exerce o papel de sujeito paciente/agentivo.
Portanto, a alternativa está correta por apresentar explicitamente a inversão verbo‑sujeito exigida pela questão.
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