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Questão FC409629

Leia o texto “Mania de comer bem” e responda à questão. Após perder 27 kg e finalmente conquistar uma barriga “tanquinho”, Thaís, 32, passou a controlar rigidamente a alimentação.

Colocação Pronominal

VUNESP · 2016

Leia o texto “Mania de comer bem” e responda à questão.

 

Após perder 27 kg e finalmente conquistar uma barriga “tanquinho”, Thaís, 32, passou a controlar rigidamente a alimentação. O desejo de comer de forma saudável era tanto que passou a prejudicar sua vida pessoal.

 

“Uma refeição fora de casa, mesmo na casa da minha avó, gerava um estresse enorme. Sentia culpa e ansiedade. Não conseguia fazer concessões”, explica.

 

Julia, 25, excluiu tantos grupos alimentares que, após dois anos de dieta, viu seu cardápio reduzido praticamente só a proteínas e hortaliças. Desenvolveu pânico de comer na frente de conhecidos e chegou a levar marmita para a festa de casamento da irmã.

 

Ambas sofreram com a chamada ortorexia: um comportamento obsessivo em relação à comida.

 

Além de pôr em risco a saúde, com a falta de nutrientes essenciais, a ortorexia ainda atrapalha significativamente as relações sociais e afetivas.

 

“A preocupação excessiva com a alimentação passa a dominar a vida da pessoa. Torna-se uma obsessão”, explica a médica Sandra Carvalhais, do Instituto de Pesquisa e Ensino Médico, em São Paulo.

 

Para os especialistas, a onda de blogs e redes sociais que disseminam informações sobre nutrição e dietas, muitas vezes equivocadas, acaba criando o ambiente ideal para paranoias alimentares.

 

Ainda que muitas vezes também cause emagrecimento excessivo, a ortorexia é diferente da anorexia. Para a médica nutróloga Maria del Rosario, diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), que tem longa experiência em transtornos alimentares, a principal questão é a autoimagem corporal.

 

“Quem tem anorexia se olha no espelho e se enxerga gordo, mesmo estando muito magro. O ortoréxico não costuma ter esse problema. Ele se vê magro, mas muda a alimentação por uma questão de saúde.” A ortorexia pode, inclusive, estar associada a outros distúrbios, sobretudo a transtornos compulsivos.

 

Além disso, a pessoa ortoréxica se impõe tantas restrições que acaba sem conseguir comer com a família e os amigos. Esse isolamento pode levar à ansiedade e à depressão, segundo del Rosario.

 

Recém-formada em administração, Julia diz que teve dificuldade em participar dos eventos da universidade. “Eu passava horas buscando na internet a maneira mais pura de me alimentar. Depois de um tempo, perdi a capacidade de comer algo que tivesse sido preparado por outra pessoa”, diz ela, que está em tratamento para a ortorexia há quatro meses.

 

Os especialistas indicam tratamento multidisciplinar, com psicólogo, psiquiatra e acompanhamento nutricional.

 

Hoje recuperada, Thaís diz que o apoio do marido e da família foram fundamentais. “Tem sido uma batalha em busca do equilíbrio, mas já consigo ir a uma festa e comer normalmente”, conta.

 

(Giuliana Miranda. Folha de S.Paulo, 08.12.2015. Adaptado)

 

Assinale a alternativa em que o pronome substituiu, corretamente e de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, a expressão destacada no trecho do texto.

  1. Thaís, 32, passou a controlar rigidamente a alimentação. → Thaís, 32, passou a controlá-la rigidamente.
  2. ... após dois anos de dieta, viu seu cardápio reduzido praticamente só a proteínas e hortaliças. → ... após dois anos de dieta, viu-lhe reduzido praticamente só a proteínas e hortaliças.
  3. ... a ortorexia ainda atrapalha significativamente as relações sociais e afetivas. → … a ortorexia ainda lhes atrapalha significativamente.
  4. “Eu passava horas buscando na internet a maneira mais pura de me alimentar. […]”. → “Eu passava horas buscando-na na internet. […]”.
  5. Os especialistas indicam tratamento multidisciplinar... → Os especialistas indicam-o...
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase, Thaís, 32, passou a controlar rigidamente a alimentação, "a alimentação" funciona como objeto direto do verbo controlar e é feminino singular.

Para substituir um objeto direto feminino singular usa‑se o pronome oblíquo átono "a". Quando esse pronome é ligado a um verbo no infinitivo terminado em -r (como controlar), o final <-r> é suprimido e o pronome é unido ao verbo por hífen: controlar + a → controlar‑a.

Além disso, para manter a mesma sílaba tônica do infinitivo, faz‑se a marcação gráfica: controlar → controlá‑, resultando em controlá‑la. Assim, Thaís passou a controlá‑la rigidamente é a forma correta e normativa.

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